Aperfeiçoamento na produção e vendas bem feitas fazem crescer o valor da fruticultura em Carlópolis, já relevante na formação de renda de propriedades familiares. É um sistema que pode servir à expansão regional da organização da agricultura familiar baseada na fruticultura e será demonstrado na 7 FrutFest - Festa da Fruticultura, que se realiza de 8 a 11 de setembro.
Não basta produzir, é preciso comercializar bem, para agregar valor, ''e a Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC) veio facilitar a vida do pequeno'', resume Airton José Soares Capote, produtor e agrônomo da Emater.
Para serem vendidas, as frutas são classificadas e por trás da qualidade estão produtores preocupados também com a sustentabilidade, com o ambiente, que racionalizam o uso de produtos químicos, dispensáveis a partir de determinados estágios. A mosca da fruta é atraída quando as goiabas começam a trocar de cor; nesse estágio, porém, o produtor já as ensacou, para permaneceram protegidas até a maturação.
Há uma história de associativismo desde que Carlópolis foi o primeiro município paranaense a ter armazém da Cooperativa Agrícola de Cotia, em 1953. Com a autoliquidação da Cotia, em 1994, o surgimento da Associação dos Produtores de Carlópolis, em 1995, foi consequência. ''Os produtores precisavam continuar e tocaram'', relata Rosineli Bérgamo, gerente-administrativa da APC, atualmente Associação dos Olericultores e Fruticultores.
Em um prédio que era da Cotia, está a administração da APC e a máquina que separa as frutas pelos tamanhos, permitindo lotes padronizados, frutas homogêneas, sem defeitos. A Associação não vende a granel e sem classificação. ''Produto de qualidade para mercado diferenciado. Hoje a lichia de Carlópolis é a mais cara'', diz Rosineli. ''O poder aquisitivo do brasileiro aumentou e ele se tornou mais exigente. Eu quero comprar, mas tem de ser assim'', comenta Airton, que vê um consumidor que se orienta também pelos meios de comunicação, ''e a informação educa o indivíduo''.
São Paulo, a capital, é o maior mercado para a produção de Carlópolis, o que se atribui à situação do município, na divisa com o Estado, e à malha rodoviária. Ante a perspectiva de crescimento, a APC tem o projeto de construção de um galpão compatível.
Produção
Por ora, apenas uma parcela menor de produtores está na APC e a previsão otimista de crescimento se relaciona à existência de aproximadamente 860 propriedades no município, que já é o maior produtor do Norte Pioneiro.
Em 2010, a colheita em Carlópolis chegou a 7.159 toneladas, de 14 frutas, com plantações em 313 hectares, conforme levantamento do economista José Antônio Gervásio, do núcleo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado (Seab) em Jacarezinho (ver tabela).
Entretanto, apenas 440 toneladas, e incluindo produtos da olericultura, passaram pela APC. São 56 associados, mas os produtores cadastrados são 140, incluindo residentes em municípios vizinhos, ''99% da agricultura familiar'', em propriedades diversificadas geralmente incluindo café e pecuária de leite.
Conforme o balanço de 2010, eles venderam, através da APC, ''440 mil quilos de tudo'', ou 44 diferentes produtos, no valor R$ 1,227 milhão. Participações mais expressivas, em toneladas: goiaba, 190; lichia, 70; abacate, 40; maracujá (doce e azedo), 30; morango, 30. Na olericultura, as pimentas chegaram a 30 toneladas.
A lichia foi mais representativa em 2009, com 170 toneladas, atribuindo-se a queda em 2010 à diferença climática; enquanto a perspectiva da goiaba é triplicar a produção nos próximos anos.

mockup