Fora do mercado de trabalho
A lei 8.213/91 garante a contratação de pessoas portadoras de deficiência física em empresas com mais de 100 funcionários. Porém, no Norte Pioneiro, os portadores de deficiências ainda têm dificuldades para ingressar no mercado de trabalho. Segundo levantamento feito pela Folha em algumas prefeituras da região, o número de funcionários portadores de deficiência física não corresponde à porcentagem prevista por lei. A justificativa é de que a procura pelas vagas é pequena.
De acordo com informações prestadas pelos setores de recursos humanos das administrações municipais, a Prefeitura de Jacarezinho tem cerca de 550 servidores municipais e apenas um portador de deficiência. Já em Arapoti, o número de funcionários da prefeitura é de, aproximadamente, 800 servidores, sendo seis beneficiados pela lei 8.213/91. A prefeitura de Cambará, por sua vez, tem hoje 480 servidores municipais e nenhum portador de deficiência contratado.
Segundo a diretora da Associação Jacarezinhense de Deficientes Auditivos e Visuais (AJADAVI) Eliane Maria Cher, apesar da existência da lei, a dificuldade dos deficientes é grande. Ela conta que certa vez tentou conseguir emprego para um dos alunos em um mercado do município, como empacotador, e se propôs a ensinar a linguagem dos sinais, para facilitar a comunicação com os demais funcionários. Mas os responsáveis alegaram que não conseguiriam se comunicar com ele e não o admitiram.
A deficiente visual Clênia Chagas França tem 35 anos e é telefonista. Apesar do curso e da procura pelo emprego, Clênia nunca trabalhou e atribui a sua falta de oportunidade ao fato de ser portadora de uma deficiência. Segundo ela, embora as pessoas digam o contrário, as barreiras são consequências de um preconceito social.
O advogado trabalhista Jacir Furtado afirma que a empresa não precisa ter o número exato de pessoas contratadas. Furtado explica que nem sempre uma empresa de 500 funcionários terá 4% de seus contratados portadores de deficiência. Segundo ele, às vezes não se encontram candidatos aptos a realizar a função solicitada. Quanto às empresas privadas, o subdelegado substituto do Ministério Público, Élson Ribeiro, informa que é feita a fiscalização, mas, que não foram encontrados problemas no Norte Pioneiro nos últimos 4 meses.





