A partir de hoje, a FOLHA começa a publicar uma série de reportagens com os novos representantes do Executivo dos principais municípios do Norte Pioneiro, empossados no último dia 1º. O objetivo é ouvir os novos governantes sobre a situação da máquina pública e as metas da gestão que tem início este mês e segue até 2016.
  Na edição de hoje, fazem análises os novos prefeitos de Jacarezinho, Santo Antônio da Platina e Ibaiti. A série deve prosseguir pelas próximas quatro edições do caderno Norte Pioneiro.

Jacarezinho - O tom do discurso de posse do prefeito eleito de Jacarezinho, o médico obstetra Sérgio Eduardo Emydio de Faria (DEM), de 58 anos, mudou drasticamente após quatro dias à frente do Executivo. A euforia inicial expressada antes da posse se transformou em uma enxurrada de críticas à administração anterior, acompanhada de uma preocupação grande com o futuro da cidade.
  O prefeito afirmou que terá dificuldades para colocar a máquina no ritmo normal. Os secretários e diretores trabalham para concluir o levantamento da real situação da cidade, mas anteciparam que as noticias não são agradáveis. Em entrevista à FOLHA, o prefeito disse que a área da saúde é que mais preocupa, porque a população não pode esperar mais por uma assistência médica digna. Ele garantiu que pretende equipar os postos de saúde e contratar mais médicos, principalmente na área de pediatria, onde apenas um profissional atua.
  Faria comparou a situação de Jacarezinho a um ‘‘tsunami’’ de médias proporções. Numa perspectiva otimista, ele garantiu que levará cerca de 20 anos para que a cidade volte a ficar estruturada. Atualmente, dez bairros da periferia e trechos do centro da cidade estão sem pavimentação. O asfalto está se esfacelando em centenas de trechos e não há data prevista para o recapeamento. O quadro na zona rural também não é diferente. Ele espera que, com a implantação das Patrulhas Rurais, as estradas dessa região da cidade sejam readequadas.
  Outra preocupação que tem tirado o sono do novo prefeito está relacionado com a área da educação. Segundo Faria, a criação do contraturno, em pleno período pré-eleitoral, obrigou a prefeitura a contratar mais professores, mas ao término do pleito, o programa ‘‘se esfacelou’’. Famílias que deixavam seus filhos nas escolas nos dois períodos do dia para trabalhar ficaram na mão. O prefeito espera solucionar o problema num curto espaço de tempo.
  Mesmo com todas as dificuldades previstas no orçamento municipal, o prefeito de Jacarezinho confirmou que deverá manter todos os projetos culturais que a cidade tradicionalmente promove.
  Outra crítica do prefeito de Jacarezinho diz respeito à terceirização de equipamentos e serviços nos últimos oito anos. Na opinião dele, a medida contribuiu para que a frota municipal ficasse sucateada, encarecendo ainda mais alguns programas e projetos. Ele prevê que serviços essenciais como de limpeza pública, reciclagem e transporte de estudantes, entre outros que envolvem equipamentos pesados estão comprometidos. ‘‘A terceirização foi uma medida errada e com consequências ainda mais temerosas’’, avalia.
  Ele destacou que sua administração vai ser regida pela ética, moralidade, economicidade e respeito ao bem público.


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- Muito tempo para deixar a ''casa em ordem''


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