Nova Fátima - Um decreto publicado no mês passado pelo prefeito de Nova Fátima, Nilson Xavier (PDT), tem gerado polêmica e dividido opiniões, principalmente entre comerciários e comerciantes da cidade. O documento passa a regulamentar o horário de funcionamento do comércio local e determina o fechamento dos supermercados e lojas aos domingos e em dois sábados do mês. Segundo comerciantes, mudanças estariam provocando a migração dos consumidores para cidades vizinhas.
Originária de uma lei complementar encabeçada pelo vereador Maurílio da Fonseca e aprovada pela Câmara de Vereadores em março deste ano, a complementação da lei municipal número 001/2013 prevê que estabelecimentos comerciais funcionem durante a semana das 8h às 18h, e em em alguns sábados, das 8h às 12h, e ainda proíbe a abertura aos domingos. A medida só não interfere no funcionamento de farmácias, padarias, videolocadoras, açougues, sorveterias, bares e lanchonetes.
A mudança do horário comercial da cidade foi aprovada pelos vereadores em razão de inúmeras reclamações de funcionários de empresas. Segundo os comerciários, os empresários não cumpriam com a legislação trabalhista que prevê pagamento de hora extra, quando ocorre excesso de carga horária de trabalho. "Nós trabalhávamos o dia todo aos sábados sem receber sequer uma hora extra. Não há cumprimento das leis trabalhistas e poucos aparecem para comprar aos sábados à tarde, principalmente no fim de mês. Acho que pouca coisa irá mudar", opina a vendedora Marilane Furquim.
Nova Fátima não possui associação comercial própria e a intervenção do Legislativo ainda causa divergências entre a população.
A inclusão principalmente dos supermercados na nova regulamentação é o que tem causado mais revolta nos moradores, segundo conta a empresária Daiane Maria Marques de Souza, proprietária de um supermercado. "Tivemos um impacto negativo, pois temos que fechar às portas às 18 horas, horário em que normalmente as pessoas saem do trabalho e podem fazer compras; prejuízo para os comerciantes e também para a população que fica com tempo restrito para comprar", diz.
A empresária Rose Messnefias dos Santos, dona de um salão de beleza e uma padaria, diz estar vivendo um impasse entre os benefícios e prejuízos causados pela nova lei. "A padaria tem horário especial para atender e com os supermercados fechados ganhei muitos clientes que procuram produtos básicos vendidos em ambos os lugares. Por outro lado, a clientela do meu salão caiu muito, pois as ruas ficam desertas aos fins de semana", conta.
Os prejuízos financeiros também são contabilizados pelos comerciantes. O empresário Dirceu Kubo contabiliza uma queda de 40% nas vendas em seu supermercado. "A população da zona rural, nossa maior fatia de consumidores, tem optado por fazer compras em Ribeirão do Pinhal e Cornélio Procópio já que aqui é fechado aos sábados à tarde. Acredito que antes de implantar esta lei deveria ter sido feito uma pesquisa sobre o impacto econômico que poderia causar na cidade", desabafa.
O prefeito Nilson Xavier (PDT) e o vereador Maurílio da Fonseca foram procurados pela reportagem, mas não retornaram o contato até o fechamento da edição.

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