Fé leva milhares de fiéis à capela de Nossa Senhora das Graças
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quinta-feira, 20 de dezembro de 2001
Marcos André Brito<br>De Santo Antônio da Platina - Especial para a Folha 
A história da construção da Capela de Nossa Senhora das Graças, na Fazenda Santa Terezinha, a 13 quilômetros do centro de Santo Antônio da Platina, teve inicio na década de 70, quando familiares da proprietária Domingas Posse Benteu adquiriram a área. Por causa de dificuldades, prometeram que se a compra fosse efetivada, eles construiriam uma capela em homenagem a Nossa Senhora das Graças.
A promessa começou a ser cumprida a partir de 1994. A fazenda, localizada entre Santo Antônio da Platina e Barra do Jacaré, tem oito alqueires e no local foi construída inicialmente uma pequena capela para abrigar a imagem da Santa.
O que os proprietários não sabiam é que ela viria a se transformar em um santuário famoso e visitado durante todo o ano por romeiros de todo o Brasil. São pessoas que descobriram na imagem da Santa uma maneira de agradecer uma graça recebida, ou mesmo concretizar o sonho de conhecer o santuário.
O responsável pela capela, Rui Margarido, conta que nestes sete anos, cerca de 100 pessoas confirmaram, através de relatos públicos, que receberam uma graça da santa. Os cultos, conduzidos pelo movimento da Renovação Carismática da Igreja Católica, reúnem centenas de pessoas, todo dia 13 de cada mês. ''No início, poucas pessoas acorriam ao local, mas com o passar dos anos o número foi aumentando e hoje caravanas de vários Estados do Sul e até do Nordeste procuram a capela para cumprir promessas e participar das celebrações. A grande maioria no entanto, não conta a graça que recebeu ou o motivo da visita'', disse Margarido.
A manutenção e a conclusão da Capela de Nossa Senhora das Graças, hoje edificada em uma área de dois mil metros quadrados, é feita sob orientação dos freis Capuchinhos de Santo Antônio da Platina e de Siqueira Campos. Os coordenadores da capela construiram uma gruta em homenagem à santa, em frente à capela.
As doações para obras e conservação são feitas nas paróquias e o dinheiro está sendo investido na ampliação da capela e construção de banheiros, estacionamento, área de descanso, confessionários e infra-estrutura de atendimento aos romeiros. ''O trabalho é feito de acordo com as doações que recebemos'', afirmou Margarido.
Maria de Fátima Martini, de Ribeirão do Pinhal, relata que vinha padecendo com fortes dores no corpo. Depois de procurar médicos e hospitais, encontrou a cura, visitando a Capela de Nossa Senhora das Graças por indicação de amigos. Hoje, ela volta para agradecer e sempre que pode participa da celebração mensal.
Outra romeira de Ribeirão do Pinhal, Maria de Lourdes, tem motivos de sobra para visitar com frequência a capela. Ela sofria de problemas renais e o filho José Eduardo de hepatite C. Depois de visitar a capela, foi atendida e ela e o filho estão curados. ''Nós procurarmos todo o tipo de assistência médica, mas os resultados não correspondiam e a enfermidade aumentando a cada dia. Depois que visitamos a capela, tanto eu como meu filho recebemos a graça e nos curamos. Hoje viemos agradecer pelas graças alcançadas''.
O agricultor Mário Síntece, de Ourinhos (SP), também visita com frequência a Capela de Nossa Senhora das Graças. Foi lá que ele encontrou tranquilidade, depois que perdeu um filho de 17 anos em um acidente automobilístico no ano passado. Inconformado, tentou suicídio e passou a viver o que chamou de pesadelo diário.
Duas peregrinações à capela foram suficientes para encontrar a paz interior que tanto sonhou após a perda do filho. ''Às vezes temos que buscar a paz interior em locais como este. Aqui não tem luxo ou qualquer atração. É só oração mesmo. Graças à Nossa Senhora, voltei a viver e levar a vida como ela deve ser'', afirmou o agricultor.
De acordo com Margarido, o local é visitado por pessoas de cleros diferentes e não há discriminação de raça, sexo ou cor. Todos são recebidos de maneira simples pelos padres que periodicamente fazem confissões comunitárias, ou mesmo pelos membros da comissão de manutenção da capela, que fica aberta 24 horas por dia. ''Não há porteiras ou qualquer obstáculo para que os fiéis cheguem à capela e cumpram suas promessas'', esclarece Margarido.


