Falta vaga para tratar dependentes químicos
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2002
Da Redação 
A população carente tem dificuldade para encontrar atendimento gratuito em instituições especializadas no atendimento a dependência química. Isso porque o número de entidades que prestam o serviço no Norte Pioneiro é insuficiente. O alerta é feito por pessoas que representam essas instituições.
O orientador-geral da Comunidade de Assistência dos Dependentes de Drogas (CADD), Antonio Carlos Choma, afirma que é urgente a viabilidade de projetos para a criação de convênios com os órgãos públicos. Os valores gastos com presos mantidos em penitenciárias no Estado, por exemplo, é muito maior do que os valores gastos com doentes dependentes de drogas, esclareceu.
O diretor do Centro de Recuperação de Drogados de Santo Antonio da Platina, Jairo Pereira, lembra que nenhuma instituição da região é mantida por órgãos públicos.
A CADD atende hoje 36 pessoas. Segundo Choma, quando há casos em que a pessoa não pode arcar com as despesas, os órgão públicos municipais pagam à entidade um salário mínimo que ajuda a custear o tratamento. No entanto, ele afirma que esse é um valor muito baixo. A entidade oferece supletivo de 1º e 2º graus, aulas de inglês, acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Por isso o valor da mensalidade é de três salários mínimos. Para manter nossa estrutura são gastos cerca de R$ 12 mil por mês. O valor de um salário oferecido pelas prefeituras acaba se tornando insuficiente, explica o orientador. A instituição tem 40 vagas disponíveis, sendo que 20% delas são destinadas a atendimentos gratuitos.
Josué de Lima, 40, foi usuário de entorpecentes há quatro anos e passou nove meses em tratamento. Lima afirma que não teria conseguido deixar o vício se não tivesse passado pelo tratamento e acredita que isso não seja muito diferente entre os demais usuários de drogas. Recuperado, Lima trabalha em uma instituição de recuperação de dependentes.
João Antonio Ruiz de Mello, 40 anos, esteve em tratamento no CADD há cerca de quatro anos e conseguiu se recuperar. Ele também ressalta a importância da instituição em sua recuperação e lamenta a falta de investimentos no setor. As pessoas ou os órgãos públicos só fazem alguma coisa quando o problema afeta alguém mais próximo, desabafou.
A secretária do Desenvolvimento Social de Jacarezinho, Rubia Martoni informou que não existe obrigatoriedade por parte das prefeituras em se criar convênios, no entanto, o município auxilia conforme a necessidade. Rúbia confirma que é pago, geralmente, um salário mínimo para a entidade.


