Londrina - Explodir caixas eletrônicos em agências bancárias tem se tornado uma modalidade criminosa cada vez mais comum nas cidades do interior do Paraná. Segundo dados do Sindicato dos Vigilantes do Paraná, o montante de 77 ocorrências no primeiro semestre de 2015 (até 10 de junho) aponta um crescimento de 24,19% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados 62 casos de caixas eletrônicos explodidos. No Norte Pioneiro, o número de casos permaneceu o mesmo no período pesquisado: quatro casos em 2014 – Arapoti (dois casos), Nova América da Colina e Curiúva – e outros quatros casos no primeiro semestre de 2015 - Uraí, Cornélio Procópio e Curiúva (dois casos).
Em Curiúva (154 km ao sul de Jacarezinho), além da repetição da ocorrência em pouco mais de um ano, chama a atenção a ousadia dos criminosos na última ação, realizada no dia 4 de junho, quando os bandidos fortemente armados usaram uma corrente e um cadeado para trancar os policiais no destacamento e retardar a ação policial. A atividade criminosa começou por volta das 4 horas na agência do Banco do Brasil, situada na Avenida Antônio Cunha, onde também esta localizada a delegacia. Após a explosão, o grupo foi até o banco Bradesco na mesma cidade e arrombou mais um caixa eletrônico, também com o uso de explosivos. Depois de pegar o dinheiro, eles roubaram um veículo Golf, de cor azul, e fugiram, abandonando um Fiat Palio de cor prata no local. Segundo a Polícia Militar, dois caixas e o cofre central do Banco do Brasil ficaram completamente destruídos, sendo que apenas um terminal foi danificado na agência do Bradesco. Na última segunda-feira, o delegado Denival Barbosa Liandro, de Curiúva, informou apenas que a "investigação está em andamento" e preferiu não opinar sobre o modo de atuação criminosa e nem se o número efetivo menor de policiais em cidades pequenas acaba por abrir brecha para esse tipo de crime.

URAÍ
Em Uraí, a tentativa de explosão de caixa eletrônico e do cofre de uma agência do Bradesco, no dia 26 de janeiro, assustou a população de aproximadamente 13 mil habitantes, que ainda não tinha presenciado esse tipo de crime na cidade. "Não tenho dúvidas de que o menor contingente policial nas cidades do interior acaba sendo um fator decisivo para esses criminosos. Nesse caso específico, o fato da agência não ter monitoramento de câmeras de segurança na época também acabou por favorecer ao crime", afirma o delegado Damião Benassi Júnior, de Uraí, que acrescentou que a ação ainda está sob investigação. "Os bandidos acabaram não tendo acesso ao dinheiro porque uma das dinamites utilizadas não detonou e a outra não foi suficiente para ter acesso ao interior do cofre. Independentemente disso, a agência precisou ser reformada, gerando despesas e transtornos à população", comenta.

EXPLOSIVOS
Segundo Júnior, muitos criminosos estão migrando para esse tipo de crime seduzidos pela possibilidade de um maior e rápido retorno financeiro ilícito, mas que o Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep) recentemente conseguiu prender três quadrilhas que atuavam nesse tipo de crime no interior do Paraná. Em geral, conforme ele, o acesso a explosivos utilizados nesse tipo de crime seria obtido por desvio ou roubo de cargas desses materiais que são usados em pedreiras para extração de cascalho e brita. "É um crime difícil de inibir porque normalmente ocorre de madrugada, os criminosos usam veículos que não levantam suspeita e ainda portam armas longas. O ideal é que haja o aumento do efetivo policial nas cidades menores e um reforço dos mecanismos de segurança das agências bancárias. A segurança é dever do Estado, mas envolve a responsabilidade de todos também", conclui.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (Sesp/PR), desde o início do ano, após a criação de uma força-tarefa, os casos de explosão de caixas eletrônicos começaram a reduzir porque foi desenvolvido um trabalho integrado de inteligência, com a identificação das quadrilhas, e a organização de grupos de investigação que compõem a força-tarefa. Por conta disso, as quadrilhas começaram a migrar para o interior. A polícia trabalha agora no sentido de fortalecer os núcleos de inteligência no interior do Estado para identificar e prender as organizações criminosas que praticam esta modalidade de crime.

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