A equipe de reportagem da FOLHA acompanhou os professores em parte do trajeto e viu de perto as condições insalubres em que vivem muitos alunos. Barracos feitos de lona, casas com assoalho de chão batido, falta de água, de esgoto, de energia elétrica e algumas vezes a escassez de alimentos. Esse quadro chocou a equipe de professores que participou do projeto, muitos deles são novos na escola e não esperavam ver uma realidade tão impactante.
A professora Maura Vasconcellos Brambilla Imai, dá aulas há três meses na escola e achou a atividade muito proveitosa. Ela contou que a partir de agora a relação aluno professor vai melhorar significativamente. ''Antes cobravámos com frequência questões de higiene como tomar banho, lavar o cabelo e escovar os dentes e com essa visita percebemos que muitas casas não têm energia elétrica, água encanada. Sem condições de propiciar as necessidades básicas de uma pessoa'', disse.
Uma professora que preferiu não se identificar revelou ter sentido um misto de tristeza e alegria ao ver a casa de uma de suas alunas. ''Era a casa da minha melhor aluna. Percebi que o fato dela morar precariamente não a impede de desenvolver-se intelectualmente, ser uma excelente aluna e, assim, ter um futuro profissional promissor'', comemora.
Já a professora Letícia Maria Zanette, do 2º ano do Ensino Fundamental, que assumiu a sala de aula pela primeira vez em maio deste ano, elogiou a experiência. ''Não imaginamos como é a realidade desse aluno no dia a dia. Queremos ensiná-los a ler e escrever e muitas vezes eles não têm cabeça para isso. Agora entendo porque eles chegam na escola com tanta fome. A escola é o único lugar que muitas vezes essa criança tem para comer'', resigna-se. Letícia conta que a cena que mais chocou durante as visitas foi as condições de vida insalubre, com umidade e cheiro de mofo. (K.A.)

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