Expansão vertiginosa esbarrou na recessão
O desenvolvimento de Londrina determinou a evolução das olarias e cerâmicas de Jataizinho, com sucessivos saltos nas décadas de 40, 50 e 60, seguindo-se talvez a melhor fase, pelo incremento à construção civil do Banco Nacional de Habitação (BNH), nos anos 70. Jataizinho, ''capital nacional das cerâmicas'', consta na história do município, porque as suas 30 olarias e cerâmica então ganharam mercados em outros Estados. Restariam sete ao término do ciclo.
Seguiu-se a terrível conjuntura dos anos 80, ''a década perdida'', extinto o BNH em 1986. A produção das cerâmicas de Jataizinho tinha evoluído de quatro milhões de peças/mês para 11 milhões e chegou à superoferta de 12 milhões. Com o excedente, o preço do milheiro no mercado caiu para a metade do custo de produção em 1983.
A inflação de 100% ao ano entre 1980 e 82 chegou a 200% em 83 e atingiria 1.700% no final da década. Sucederam-se os planos econômicos, cessaram os investimentos, quem tinha dinheiro punha na poupança. Veio a recessão. A Cerâmica Bela Vista, a maior, com 72 empregados dos quais uma parcela dispunha de casas cedidas pela empresa, parou no decorrer da década de 90, tendo sido inevitáveis as ações judiciais motivadas por dívidas. A família deu em garantia o grande patrimônio. Dionísio, o patriarca, havia morrido em 1983.
A cidade mudou o nome
para festejar o centenário
Mudar o nome de Jataizinho para Jataí de Alcântara, conforme apregoa ainda hoje o ex-vereador Nerino de Freitas, é ''bandeira'' hasteada desde o centenário da cidade. Extraoficialmente, o nome pretendido chegou a ser adotado em 1955 e o documento se encontra no Museu Histórico.
''A cidade de Jataí de Alcântara, em 2 de agosto de 1955, comemorou seu primeiro centenário de existência no painel da civilização com uma festa cívico-religiosa, sucesso majestoso que jamais seus compatriotas esquecerão'', consta no álbum fotográfico da efeméride, inscrita com letras douradas na capa. Há ''crianças ostentando o pendor do entusiasmo, trazendo em letras berrantes o nome Jataí de Alcântara, que a comunidade certamente criou e pleiteia o seu vigoramento''.
Era prefeito Antônio Nowiski. Convidados ilustres presentes à comemoração: o ministro da Agricultura, Bento Munhoz da Rocha Neto, e o governador do Estado, Adolfo de Oliveira Franco. Mas não foi possível ''sacramentar'' a mudança.
Nerino de Freitas chegou à cidade naquele ano, para se fixar, cessando a vida nômade do artista circense. Conforme sua entrevista à FOLHA recentemente, ao exercer o mandato de vereador na década de 70 assumiu a proposta, rejeitada pela Câmara. Mas até hoje a considera interessante. ''Uma cidade com o nome no diminutivo cai mesmo. Tudo no diminutivo, só diminui'', resume. Analisando a história, Nerino conclui que Jataí - nome anteriormente -, tão importante para a colonização do Norte Novo, teve o crescimento cerceado por motivos políticos; deixou ser a comarca e houve o rebaixamento a distrito de Assaí, em 1943, quando se denominou Jataizinho.
Supõe-se que o nome tenha sido alterado por causa da existência de Jataí em Goiás, que se originou em 1836 e ganhou importância em 1864, paragem de abastecimento a tropas brasileiras na Guerra do Paraguai. História semelhante à de Jataizinho, inicialmente Colônia Militar de Jataí, em 1854.
Atualidade: Jataí, 88 mil habitantes; Jataizinho, 12 mil. As duas cidades, nominadas para lembrar a grandiosidade da árvore conhecida por jataí e jatobá (Hymenaea couorbaril), se associam a vultos de dois tempos. Por conta do passado, difunde-se em Jataizinho uma lenda: a improvável ''visita'' de D. Pedro II à colônia militar durante a guerra. Em Goiás, Jataí tem a seu crédito um fato relevante moderno: ali, o candidato a presidente da República Juscelino Kubitschek, em 1954, se comprometeu a construir Brasília, que nem sequer constava em seu Plano de Metas e lhe parecia ''ideia utópica, irrealista''.





