Ex-funcionários continuam à espera de leilão
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quarta-feira, 05 de dezembro de 2012
Eli Araujo <br> <br> Reportagem local 
O cancelamento do leilão da usina de açúcar e álcool Casquel Agrícola e Industrial S/A, de Cambará, na semana passada, causou grande frustração aos ex-funcionários da empresa. A usina iria a leilão na Justiça do Trabalho, em Jacarezinho, para o pagamento de dívidas trabalhistas e junto a fornecedores.
O marido da dona de casa Valdirene Aparecida Reis Melo trabalhou por cerca de 25 anos como operador de caldeira na usina, onde o nível de ruído era muito alto. Gilmar Custódio de Melo ficou surdo porque trabalhava sem proteção nos ouvidos e, além da surdez, passou a ter também problemas cardíacos e de coluna.
Valdirene afirma que não permitiu que fosse dado baixa na carteira de trabalho do marido para que ele recebesse tudo o que tem direito. Segundo ela, não foi depositado o correspondente a dez anos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Hoje, o ex-funcionário está aposentado por invalidez. ''Eu sou esposa e tenho que correr atrás dos direitos dele'', afirma.
Valdirene, que trabalha como cozinheira para ajudar nas despesas domésticas, admite que a família passa por dificuldades em função da demora de uma solução para o problema. ''Isto tem causado todo tipo de problema: falta de dinheiro, depressão. Ele trabalhou na firma 25 anos e não 25 dias. É uma vida'', desabafa.
A família de Gervásio Dutra de Rezende é exemplo de como várias pessoas de uma da mesma residência dependiam do emprego na usina. Ele tem seis filhos e três trabalhavam na Casquel com o pai, que foi operador de máquinas por 24 anos.
Hoje, aos 62 anos, ele espera que a situação seja resolvida o mais rápido possível. ''A situação está péssima porque estou há três anos sem trabalhar e sem receber nada. E agora, que chega na reta final, dá essa zebra ai, não sei como vai ficar'', afirma, referindo-se ao cancelamento do leilão. Os três filhos já conseguiram novos empregos.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Fabricação de Álcool de Jacarezinho e região, José Ramos Vasconcelos, reconhece que a maioria das pessoas que trabalhavam na Casquel já estão em outras atividades, mas admite que algumas famílias ainda enfrentam sérios problemas financeiros.
Segundo Vasconcelos, há mais de mil ações trabalhistas contra a Casquel, o que totaliza cerca de R$ 25 milhões. A maioria das ações têm valores que variam entre R$ 15 mil e R$ 70 mil. O presidente do sindicato afirma ter recebido até algumas ameaças pela insistência em receber os direitos dos ex-funcionários.
Maior do Paraná
O leilão da Casquel, que seria o maior do gênero já realizado no Paraná, estava marcado para a última terça-feira, mas foi cancelado no instante em que seria iniciado, por determinação do desembargador Paulo Ricardo Pozzolo, do Tribunal Regional do Trabalho, em Curitiba. Os motivos não foram justificados e ainda não há uma nova data para o leilão.
O patrimônio da Casquel, incluindo máquinas, instalações e uma área de 619 hectares, foi avaliado em R$ 180 milhões por um perito nomeado pela Justiça. A empresa iria a leilão pelo lance inicial de R$ 108 milhões. No dia do leilão, havia duas empresas interessadas em arrematar os bens.


