Ex-aluno da Uenp ganha prêmio internacional
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quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Eli Araujo<br> Reportagem Local 
Bandeirantes - O engenheiro agrônomo Mateus Marrafon desenvolveu um projeto que poderá contribuir de forma decisiva para combater um dos maiores flagelos da humanidade: a fome. A ideia é simples, mas considerada de um alcance social fora do comum. Tanto que é um dos dois projetos escolhidos pela Fundação Bill e Melinda Gates, entidade mantida pela Microsoft. Marrafon vai receber US$ 100 mil para viabilizar a proposta, valor que poderá ser ampliado para até US$ 1 milhão.
A ideia foi concebida no período que Marrafon estudou Agronomia na então Faculdade Luiz Meneghel, hoje campus da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), em Bandeirantes. O projeto não fez parte de nenhuma atividade acadêmica, mas recebeu todo incentivo do professor Marco Antônio Gandolfo, da área de mecanização agrícola. A experiência deu bons resultados.
O engenheiro agrônomo, hoje com 29 anos, se formou em 2008. Atualmente é professor em Ribeirão Preto, faz doutorado em Jaboticabal, tem cinco patentes de inovação, é pesquisador do Instituto Kairós, de Itu (SP), e tem parcerias com algumas fábricas de máquinas agrícolas.
Inspiração
Marrafon passou a infância com a família em uma pequena propriedade rural no município de Iracemápolis, na região de Piracicaba (SP). Na época, ele observava com atenção o trabalho de sua mãe, que mesmo sendo engenheira agrônoma, tinha dificuldade em regular a máquina para plantio na propriedade. E foi esta observação que inspirou seu invento.
Ele desenvolveu uma fita que vem enrolada em uma bobina e já contém os nutrientes necessários para a germinação, com espaçamento ideal para a cultura e as características da propriedade. Além do produto principal, como o milho, por exemplo, o pequeno produtor ainda poderá colocar sementes de outras culturas que não interfiram na cultura principal. A fita, que é biodegradável, pode ser usada para qualquer tipo de semente, com variação da largura dependendo da cultura.
Por isso, a fita é recomendada para pequenas propriedades, onde o agricultor poderá até triplicar a produção de alimentos na propriedade e aumentar a renda familiar. "Há uma preocupação em aumentar a produção de alimentos e com este projeto é possível combater a fome no mundo", afirma.
Depois de formado, Marrafon voltou para o interior de São Paulo, e começou a buscar parceiros na tentativa de desenvolver o projeto em larga escala, mas não apareceu nenhum interessado. "No começo, por eu ser um pesquisador jovem, não ter experiência e um currículo de peso, a gente encontrou bastante restrições e dificuldades no mercado, mas agora o pessoal está acreditando mais na ideia", explica.
Este ano, ele inscreveu o projeto na Fundação Bill e Melinda Gates. Outros 2.700 trabalhos de todo o mundo participaram da seleção. A surpresa veio no final do mês passado, quando soube que seu projeto estava entre os classificados.
Marrafon pretende aplicar o projeto no Brasil e em alguns países da África, onde a incidência da fome é maior. No momento, ele está empenhado em criar uma máquina que coloque as sementes na fita.
O trabalho será desenvolvido durante 15 meses, com acompanhamento da Fundação Bill Gates. A liberação de mais recursos depende dos resultados.
Outros dois trabalhos de pesquisadores brasileiros foram aprovados pela mesma entidade, um relacionado à área de farmácia e outro também na área agrícola.


