Bandeirantes - Os estudantes universitários de Bandeirantes engrossaram a onda de protestos que vem ocorrendo desde a semana passada em todo o País. Só que, ao contrário do que aconteceu em outras cidades, a manifestação foi tranquila, sem atos de violência.
A concentração aconteceu na Praça Brasil-Japão, uma das mais importantes da cidade. O protesto estava previsto para começar às 17 horas da última sexta feira. Os primeiros estudantes chegaram ao local meia hora antes. A passeata começou às 17h30, percorrendo as principais ruas do centro da cidade.
A exemplo de outras manifestações, também em Bandeirantes não havia uma liderança na organização do movimento, mas era certo que a mobilização partiu de um grupo de estudantes da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), campus local. A divulgação do ato foi feita pelo Facebook.
A previsão dos organizadores era que o protesto deveria reunir cerca de 1.300 pessoas, mas o dia chuvoso comprometeu a participação. A estimativa do comando da Polícia Militar é que cerca de 600 pessoas tenham comparecido ao protesto.
Um pouco antes do começo da passeata, os comerciantes das ruas próximas fecharam seus estabelecimentos por precaução, temendo invasões e saques como aconteceram em outras cidades do País. Dezenas de populares se juntaram aos estudantes, e outras pessoas acompanharam o protesto, ficando apenas nas calçadas ou nas janelas de alguns edifícios.
Os manifestantes gritaram palavras de ordem o tempo todo em referência ao movimento estudantil que não "havia morrido". Na faixa que estava à frente da passeata estava escrito: "estudante não é marginal". Entre os brados, "ou para a roubalheira ou paramos o Brasil" foi o mais repetido pelos participantes. Os estudantes cantaram o Hino Nacional cinco vezes durante o trajeto.
O protesto fez referências a algumas reivindicações do movimento nas principais cidades do Brasil, como o fim da corrupção e a suspensão da PEC 37, uma emenda constitucional que retira do Ministério Público o poder de investigar atos de corrupção, mas o foco principal estava em questões locais mesmo. Os estudantes publicaram no Facebook uma extensa lista com as reivindicações que consideram urgentes na cidade. Entre elas estão a melhoria do asfalto, da arborização, do transporte de estudantes e a construção de uma super creche, que é uma antiga promessa política. Eles pediram mais investimentos nas áreas de saúde e educação e consideram desnecessária a construção de um aeroporto na cidade, como está previsto.
Houve uma parada estratégica em frente à prefeitura, mas o expediente já havia terminado e não havia ninguém no prédio. O prefeito Celso Silva (PDT) foi chamado inúmeras vezes, mas as portas permaneceram fechadas. A Polícia Militar, que acompanhou todo o trajeto, se posicionou em frente à prefeitura para evitar possíveis atos de vandalismo, mas não houve nenhuma insinuação neste sentido.
A professora Licineri Martins levou duas netas de oito anos para o protesto. As meninas estavam com bonés nas cores verde e amarelo e com nariz de palhaço. Segundo ela, é importante que as crianças tenham noções de cidadania desde a infância. A professora, que mora em Bandeirantes há mais de 40 anos, disse que nunca tinha visto algo semelhante na cidade. Para ela, o dia 21 de junho vai entrar para a história.
Depois da parada na prefeitura, os manifestantes voltaram à Praça Brasil-Japão, onde cantaram novamente o hino nacional e se dispersaram.

Estudante não é marginal
Em vários momentos durante a passeata, os estudantes também gritaram a frase "mais proteção e menos opressão", que tinha uma ligação direta com a frase "estudante não é marginal".
O estudante Luiz Fabiano explicou que a referência era feita a alguns soldados da Polícia Militar, que considera "despreparados". Ele disse que os estudantes trazem desenvolvimento para a cidade, mas que ainda há muito "preconceito" contra eles.
O capitão Busnello, comandante da companhia Polícia Militar em Bandeirantes, disse que a polícia age apenas quando há reclamação de moradores contra o barulho que os estudantes fazem nas festas em uma área residencial onde se concentram algumas "repúblicas".
Além de Bandeirantes, várias cidades do Norte Pioneiro como Ibaiti, Santo Antônio da Platina e Jacarezinho promoveram manifestações pacíficas.

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