O estudante Rogério Alves de Araújo, 20 anos, é um dos 10 brasileiros que receberam uma bolsa de estudos para cursar Educação Física com especialização em Tênis na ‘‘Escuela Internacional de Educacion Fisica y Deporte’’, em Havana - Cuba. Sem incentivo do governo brasileiro e com a colaboração do governo cubano, Araújo luta para integrar a primeira turma de profissionais de esporte da instituição.
A Ilha de Cuba conta com uma população superior a 10 milhões de habitantes. O país está entre as oito maiores potências esportivas da atualidade e colecionou significativas conquistas neste setor. Cuba é a única nação dos países em desenvolvimento a integrar as maiores escolas mundiais, por isso, construiu uma Escola Internacional de Educação Física e Desportes, que abriga atualmente cerca de 550 atletas de 56 países das Américas e África. No local técnicos de seleções cubanas são professores e instrutores nas mais diversas modalidades.
O estudante de Cornélio Procópio comenta entusiasmado que a aventura em Cuba começou com a primeira viagem de avião de sua vida, assim como, a experiência de entrar em contato com uma nova cultura. Araújo afirma que o desafio de estudar no único país comunista da América na atualidade, a aproximadamente 8 mil quilômetros de distância do Brasil, foi estimulante.
A história do procopense em Cuba começou em 2001 através de um contato realizado pela Secretaria Municipal de Esportes, atualmente Autarquia Municipal de Esportes e Recreação (Amesp) e representantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Em seguida, o Núcleo Regional de Educação realizou a seleção dos candidatos e o classificou como único representante de Cornélio junto com mais nove estudantes definidos pelo Instituto Nacional de Desporte (Indesp), dois destes de Londrina.
A principal dificuldade foi a resistência em relação aos hábitos e alimentação. A experiência de outros brasileiros no país também provocou preocupação. De acordo com Araújo, eles não se adaptaram e ameaçavam voltar ao Brasil em função da alimentação e outras normas estabelecidas. ‘‘Como a escola estava começando a funcionar, era natural que existissem alguns problemas, mas tudo foi superado’’, comentou Araújo.
Segundo ele, o Indesp prometeu que inicialmente os estudantes teriam toda a assistência necessária para a viagem mas, de acordo com Araújo, as poucas informações repassadas pelo Indesp foram contraditórias e prejudicaram o intercâmbio. Apesar da colaboração dos cubanos, o estudante busca apoio financeiro de alguma entidade privada ou pública no Brasil para continuar o curso naquele país.
Cada estudante recebe 100 pesos cubanos, o que corresponde a R$ 10,00 por mês. O dinheiro serve apenas para aquisição de alguns alimentos de reforço .
‘‘Nós temos despesas com os equipamentos, comprados em dólares, utilizados no dia-a-dia.’’
De acordo com as informações do atleta, outros países financiam os estudos de seus representantes. Há países que enviam cerca de U$ 400 por mês de auxílio para cada um de seus atletas. ‘‘Nós seremos profissionais especializados com mestrados em várias modalidades olímpicas e desportivas’’ disse. A Secretaria de Esportes estuda uma maneira de auxiliar o bolsista brasileiro em Cuba.
Enquanto aguarda uma posição oficial, o atleta brasileiro segue o estudo, apesar dos tropeços no idioma, ele destaca as amizades com estudantes de todas as partes do mundo. ‘‘Espero que algum empresário, ou um órgão oficial adote a idéia do patrocínio. Serei um dos primeiros brasileiros a me formar em um dos principais cursos de Educação Física do Mundo’’, enfatizou Araújo.

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