Estiagem reduz turistas em Chavantes
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Carlópolis A Represa da Usina Hidrelétrica de Chavantes, com 400 km2 de área alagada na bacia do Rio Paranapanema, é o principal destino da Rota das Águas, roteiro turístico que contempla balneários do Norte Pioneiro. No entanto, este ano, o baixo nível da água, cerca de quatro metros mais raso que o normal, fez a procura pelas prainhas e casas de veraneio cair em torno de 15% em Ribeirão Claro e Carlópolis. O setor de Turismo espera atrair bom público no Carnaval para compensar as perdas com a estiagem.
O estudante André Oliveira, 25 anos, morador em Santo Antônio da Platina, costuma alugar casas em Carlópolis pelo menos três vezes por temporada. Este ano, foi uma vez e não retornou. "A água está bem baixa e a orla fica barrenta, não dá pra se divertir", lamentou. O secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Carlópolis, Eliéder Aparecido Borges, minimizou os reflexos das condições climáticas. "Com este calor, mesmo com uma diminuição na procura, continua vindo muito turista pra cá, o calor está demais", afirmou. "Mas é claro que as casas com piscina têm mais procura", completou.
Em Ribeirão Claro, a procura em pousadas e resort com maior infraestrutura se manteve em alta. Já na Prainha do Distrito do Espírito Santo, o movimento se manteve aquém do esperado, parecido com o ano passado, quando a água também estava abaixo do nível normal. O secretário de Indústria, Comércio e Turismo de Ribeirão Claro, Lisandro José Néia Baggio, espera que chova logo para que os turistas possam aproveitar o fim de temporada com mais qualidade. Ambos os municípios não têm controle oficial do número de veranistas que recebem.
A apreensão também é grande entre os pescadores da região. No fim do mês termina o período da piracema. Na volta ao trabalho, as expectativas não são nada boas. O presidente da Colônia de Pescadores Z6 de Carlópolis, Valdeci Juvêncio Natal, conta que dos 200 pescadores da colônia, cerca de 120 vivem da pesca em tanque rede, e não sentem tanto o efeito da seca. Porém, o restante é diretamente afetado. "Há redução no volume de peixes, pois eles não alcançam o capim dos barrancos para fazer a desova. Dessa forma, as ovas ficam mais expostas aos predadores", explicou.
O Instituto Tecnológico Simepar prevê chuvas fortes a partir de sábado para a região. A semana seguinte também deverá ser chuvosa, porém a meteorologista Sheila Paz alerta que o volume de água não será suficiente para compensar todo o tempo de estiagem.
Desabastecimento
Com a estiagem, uma cidade do Norte Pioneiro corre risco de desabastecimento: Siqueira Campos. A Sanepar orienta a população da cidade para que faça uso racional da água, evitando todo tipo de desperdício. A estiagem prolongada reduziu o nível dos ribeirões Água Fria e Ribeirão do Gramado de onde a Sanepar extrai a água para abastecer os moradores. Com a queda da vazão dos dois mananciais, a capacidade de produção de água tratada caiu cerca de 30%. Ao mesmo tempo o consumo aumentou aproximadamente 10%, provocando desequilíbrio no sistema.
A população pode colaborar evitando lavar calçadas e automóveis e deixando de realizar outras atividades que possam gerar desperdícios. "É importante distribuir as atividades durante a semana e utilizar a água fora dos horários de pico", orienta o gerente da Sanepar, Gandy Ney de Camargo, sobre problemas pontuais de abastecimento às sextas-feiras e finais de tarde. A Sanepar e a ABNT recomendam, em cada imóvel, a instalação de caixa dágua com capacidade para atender às necessidades dos moradores por, no mínimo, 24 horas. O reservatório domiciliar deve armazenar pelo menos 500 litros.


