Esporte como agente transformador
Um outro trabalho que também é desenvolvido em Cornélio Procópio e tem obtido resultados inesperados é a prática de esportes adaptados à terceira idade. As modalidades de vôlei, basquete, handebol e peteca, além de melhorarem a saúde dos atletas da melhor idade já renderam muitos títulos a eles, tornando-os tetracampeões estaduais de jogos adaptados. A iniciativa teve início no ano de 2000, quando o professor de educação física Silvio Victor percebeu a necessidade de instalar um núcleo piloto nos bairros mais distantes da cidade.
''No centro já existiam vários trabalhos e resolvi começar'', diz ele. Por muitos anos o professor foi voluntário e hoje é contratado pelo município para dar sequência aos trabalhos. ''Temos atualmente seis núcleos de esportes adaptados e um para restauração da parte funcional de pessoas que tenham artrite, bursite, dores no joelho e lombar'', conta.
Adaptado para que a disputa aconteça, mas sem 'agarra-agarra' e 'empurra-empurra' para evitar a queda, o basquete conta com 12 atletas por equipe, que se posicionam em triangulação. ''Após o arremesso eles se revezam para que todos tenham chance de acertar a bola na tabela'', explica Victor, que buscou aperfeiçoamento na área de gerontologia na Universidade de Campo Branco, em Madri, na Espanha.
O esporte mudou completamente a vida dos integrantes da Associação de Esportes Adaptados da Terceira Idade de Cornélio Procópio (Aesaticop). ''Eles chegavam depressivos, tristes, queriam mostrar que podiam produzir e provaram que além de competir são capazes também de ganhar'', afirma. ''Tem atleta que coleciona mais de 70 medalhas'', continua. Os treinos são puxados, duram até duas horas e ocorrem de segunda a sexta-feira. ''Na hora de ir embora pedem para treinar aos sábados pela manhã e eu venho. Se deixar, querem treinar até aos domingos. Disposição não falta para essa 'meninada''', diz o professor, sorridente.
Jogar, de acordo com Victor, faz bem para o corpo e para a alma. A autonomia física é reconquistada. ''Os riscos de queda diminuem, a musculatura torna-se forte e as articulações são protegidas. Tudo, claro, dentro do limite de força que cada um pode suportar'', explica. ''Esse é um trabalho que vai de encontro com as necessidades do idoso, tratando-o como um todo, mas que bate de frente com a falta de atenção das políticas públicas voltadas para a pessoa idosa, que precisam mudar'', enfatiza.(K.A.)





