Santo Antônio da Platina - No segundo ano do curso de bacharelado em Matemática, o aluno Sandro Bernardes Pinheiro, de 20 anos, tem uma longa história para contar. Quando cursava a 8ª série do ensino fundamental ele participou da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e desde então começou a frequentar o Projeto de Iniciação Científica (PIC) realizado pela Obmep com os alunos vendedores. Morador da cidade de Santa Amélia, Sandro afirma que estudou para a prova mas não esperava que um resultado positivo mudasse tanto a vida dele. "A minha dedicação trilhou o meu futuro", afirma.
Além de ganhar o direito de participar do PIC, os alunos vencedores da Obmep já entram na universidade com bolsa de estudos garantida e é este benefício, de cerca de R$ 400, que permite que Sandro se dedique ao curso superior. "Consegui uma moradia estudantil na UEL, almoço e janto na universidade e a bolsa me ajuda nos outros gastos. Se eu não tivesse feito Obmep eu provavelmente não estaria estudando aqui porque meu pai não teria condições de me manter", destaca. Os planos do aluno agora incluem um mestrado – para o qual ele também já tem bolsa garantida pelo projeto – e uma carreira acadêmica.
A mesma expectativa tem o aluno do 4º ano de bacharelado em Matemática, Leonardo Gonçalves de Oliveira, de 21 anos. Na primeira Obmep, realizada no ano de 2005 ele conquistou uma medalha de ouro e no ano seguinte começou a participar do PIC com os outros alunos premiados da região. Morador de Santo Antônio da Platina, ele passou a ter contato com uma matemática que não se via na escola e uma vez no projeto não parou mais de estudar. Leonardo participou de um curso oferecido pela Obmep aos 200 alunos participantes do projeto que apresentam o melhor resultado. Entrou na faculdade, participou do programa Ciência sem Fronteiras e estudou um ano nos Estados Unidos. "Descobri que eu faço o que gosto. Se não fosse a Olimpíada a chance de eu cursar Matemática seria muito remota", afirma.
Para ele, a bolsa de iniciação científica fez a diferença durante curso. Com formatura prevista para dezembro deste ano, ele já trilha os próximos passos. "Passei no mestrado na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), vou tentar o mestrado na USP (Universidade de São Paulo) e em uma universidade no exterior. Como é para a maioria dos jovens premiados na olimpíada, a matemática me mostrou um caminho que poderia ser seguido e eu não pretendo parar. Daqui cinco anos quero estar fazendo meu doutorado", conclui.
Sandro e Leonardo são hoje monitores do PIC que atende alunos como Diovana Magalhães Toledo Pimenta, de 16 anos, moradora de Santo Antônio da Platina. Uma vez ao mês ela acorda as 4 horas, pega uma van às 4h30 e segue para Londrina, onde participa do projeto com outros alunos premiados na Obmep. Diovana começou a sua "carreira" na Obmep bem cedo, quando ainda estava no 5ª série do ensino fundamental. "Na 5ª e na 6ª séries eu ganhei menção honrosa, na 7ª série ganhei medalha de prata, no 8ª série, ganhei medalha de bronze, no 1º ano do ensino médio ganhei menção honrosa e agora estou no 2º ano do ensino médio e ainda espero o resultado da Obmep deste ano que ainda não foi divulgado", afirma.
Toda essa experiência e bons resultados na matemática permitiram que ela já participasse de três eventos nacionais com os melhores alunos do PIC e um evento da Escola de Física Contemporânea da USP, mas além do conhecimento ela destaca que a matemática trouxe algo a mais. "Não é só pelo conhecimento mas pela amizade que isso envolve. Além disso, ao participar do PIC nós aprendemos a estudar por conta própria e a não depender tanto do professor", comenta. O sonho de Diovana é cursar Engenharia Química e segundo ela, a Obmep está contribuindo muito para alcançar esta meta. "Comecei a frequentar a universidade muito cedo por causa do projeto e não quero mais sair daqui ate terminar os estudos", conclui. (M.A.)

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