Sapopema - Uma semana morando na escola e uma semana morando em casa e aplicando os conhecimentos adquiridos. Esta é a filosofia das Casas Familiares Rurais, instituições de ensino médio e técnico que habilitam os jovens para o trabalho no campo, em agropecuárias, cooperativas e a participarem de concursos públicos na área. Com origem na França em 1935, estas instituições chegaram ao Brasil em 1974 e no Sul do País em 1989. No Paraná são 44 casas em funcionamento e todas ligadas à Associação Regional de Casas Familiares Rurais do Sul do Brasil (Arcafar Sul).
No Norte Pioneiro a experiência é aplicada em duas casas instaladas nos municípios de Sapopema, com 62 alunos, e Figueira, com 47 alunos. Uma terceira deve ser inaugurada em Wenceslau Brás. A maioria dos estudantes matriculados em Sapopema são jovens que moram no campo, a metodologia utilizada nas Casas Familiares Rurais permite que o estudante conviva com a família e aplique na propriedade os conhecimentos adquiridos na semana anterior na escola.
Um dos diferenciais da metodologia utilizada pela Casa Familiar Rural é a proximidade entre a escola e as famílias dos alunos. "Durante várias vezes ao ano os professores visitam as propriedades de todos os alunos. Conversamos com os pais, orientamos sobre a produção e isso também nos permite conhecer um pouco a realidade daquele estudante e entender seu comportamento quando está longe de casa", comenta o coordenador da Casa Familiar Rural Padre Sassaki, Hélio Ferreira Couto. Na semana de volta para a escola cada aluno recebe atendimento personalizado. "Conversamos individualmente para saber como foi o período em casa, as conquistas, dificuldades e também as alegrias e tristezas da família", afirma.
Outra característica interessante do sistema de ensino é a pedagogia da alternância, uma proposta que valoriza o entendimento inicial das famílias sobre cada assunto abordado em sala de aula. "Para chegarmos ao conhecimento científico, levamos em conta o conhecimento empírico que aquelas pessoas já têm", destaca. A metodologia é aplicada por meio de questionários que os alunos respondem com a ajuda dos pais a respeito de cada conteúdo que será ministrado pelos professores.
A técnica pedagógica da Secretaria Estadual de Educação, Giorgiani Pacheco Matias, afirma que um dos objetivos da Casa é diversificar a produção das propriedades e desta forma ajudar a melhorar a renda familiar. Há um ano a professora Maria Juraci de Castro integra a equipe de docentes da Casa Familiar Rural, sendo responsável pelas disciplinas de história, geografia, sociologia e filosofia. Com trinta anos de magistério, ela vê uma grande diferença entre o ensino das escolas tradicionais e a educação ministrada na Casa. "Eu valorizo muito a pedagogia da alternância porque ela nos permite trabalhar em cima da realidade do aluno. Como nós conhecemos a família, os estudantes nos respeitam muito, nos tornamos mais próximos e muitas vezes eu os trato como meus filhos", descreve.
Além da instrumentalização de jovens para gerar renda às famílias por meio da exploração sustentável das propriedades, o trabalho realizado pelas Casas Familiares Rurais evita o êxodo rural, leva o conhecimento para os mais jovens e profissionaliza um público que é formado na maior parte por famílias carentes. Conforme o coordenador Regional da Arcafar Sul, Gelson Bizanella, o crescimento pessoal dos alunos matriculados nas Casas Familiares Rurais é evidente. "A partir do momento que eles aprendem as técnicas, se responsabilizam e colocam em prática na propriedade", afirma. Ele acrescenta que isso resulta na melhoria de renda das famílias.
Em Sapopema a Casa é vinculada ao Colégio Estadual Sapopema, mas se mantém atuante com parcerias realizadas junto ao município. Conforme Couto, a Arcafar auxilia com a contratação de profissionais e as famílias contribuem como podem. "Para manter a organização da casa, os jovens são divididos em equipes e ajudam na limpeza do espaço", explica.
Atualmente a Casa Familiar Rural de Sapopema está funcionando no salão da igreja matriz da cidade por conta de um incêndio que destruiu o prédio antigo na propriedade da instituição. "Estamos construindo um novo alojamento em parecia com o Governo Federal, mas vamos precisar da ajuda da comunidade para construir as salas de aulas. Todo tipo de doação é bem-vinda, desde material de construção, a produtos de acabamento e dinheiro para pagarmos a mão de obra", destaca Couto.
Além das Casas Familiares Rurais, o Estado conta com 18 Colégios Agrícolas. "No colégio agrícola os alunos ficam em regime de internato, diferente da Casa Familiar Rural em que eles ficam uma semana na escola e uma semana em casa", descreve Giorgiani Pacheco Matia, da Secretaria Estadual de Educação.

Serviço
Casa Familiar Rural de Sapopema (43) 3548-1061.

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