Pinhalão - O empresário Varlei Benetti, um dos maiores produtores de café do Norte Pioneiro, acredita que a cafeicultura voltará a ocupar uma posição de destaque na economia paranaense. Ele projeta, com base nas atuais circunstâncias, que o Estado terá condições de triplicar a produção de café nos próximos 10 anos, passando de 1,7 milhão de sacas (estimativa deste ano) para 5 milhões. "O pequeno produtor que tem um pedaço de terra que estava largado está voltando a plantar café", justifica.
Benetti mantém o otimismo com a cafeicultura, apesar da geada do mês passado ter afetado cerca de 80% de suas lavouras no Paraná. Com o fenômeno, a estimativa de colheita caiu de 30 mil sacas para 6 mil na próxima safra. Para o empresário, a geada abriu, inclusive, novas perspectivas de negócios. "Eu vou plantar mais café ainda porque quem é realmente deste ramo não pode parar; eu vejo o mercado futuro bem melhor do que está no momento", justifica. O cafeicultor está tão confiante na lavoura que pretende plantar, nos próximos anos, entre 200 mil e 300 mil pés de café ao ano.
O empresário afirma, porém, que é preciso saber distinguir o passado e o presente do Paraná em termos de cafeicultura. O empresário lembra que o Estado, que já produziu mais de 20 milhões de sacas de café por ano, não deve se preocupar com a quantidade, e em ser o maior produtor do mundo, mas sim em produzir um café de boa qualidade. Tudo, segundo ele, depende do zelo do produtor com a lavoura. Ele diz que a média de produção de café em coco atualmente é de 200 sacas por alqueire, mas pode chegar a 550 ou 600, ou seja três vezes mais. "O produtor precisa não só de incentivo para trabalhar com a cafeicultura, mas ter uma visão mais profissional para melhorar a qualidade do produto e hoje mais de 80% ainda não tem essa visão", afirma.
Esta nova mentalidade passa, necessariamente, pela adoção de novas tecnologias no cultivo do café. Ele diz que hoje 95% de todo trabalho de pulverização, roçagem e colheita em suas propriedades é feito por máquinas. "Há pouca gente interessada em trabalhar nas lavouras de café e a mão de obra encarece muito a produção", pondera. Benetti cita o próprio exemplo: com a mecanização, ele precisa de apenas 25 funcionários para cuidar de 1,5 milhão de pés de café, e se a mão de obra fosse manual, seriam necessários ao menos 200 trabalhadores.
Mesmo acreditando que o café seja uma alternativa para o desenvolvimento do Norte Pioneiro, o empresário diz que não se pode ficar na dependência de apenas uma cultura para mudar o panorama de estagnação que se verifica na maioria das pequenas cidades. Para ele, este quadro só poderá ser revertido se os prefeitos se mobilizarem para atrair mais investimentos. "A nossa região precisa de empresas e os prefeitos devem incentivar a vinda de mais indústrias para suas cidades", afirma.
Benetti é dono de uma cafeeira e de uma empresa de torrefação de café em Pinhalão. A cafeeira compra e beneficia o café de quase 2 mil produtores da região, e a torrefadora produz quatro marcas próprias de café do empresário e presta serviços para outras empresas. A média de torragem chega a 35 mil quilos por mês. O controle de qualidade é rigoroso e a degustação define o tipo da bebida.

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