O Programa de Rastreabilidade foi desenvolvido pela Unidade de Gado de Corte da Embrapa e consiste em um sistema de identificação eletrônico de bovinos que utiliza um chipe eletrônico (transponder estimulado por ondas magnéticas). Atualmente, a Embrapa tem cerca de 2,5 mil animais com chip. Este número, de acordo com o presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, deverá aumentar para 22 mil a partir do próximo ano, quando todo o rebanho da Embrapa estará rastreado.

Os chipe serão adequados ao tamanho e espécie de cada animal e associado a programas de informática que façam o gerenciamento específico. Este sistema, que permite a identificação eletrônica a softwares de gerenciamento de rebanhos, conforme Portugal, é pioneiro no Brasil.

Na União Européia, a identificação do rebanho é feita através de brincos de leitura eletrônica (o chipe é instalado dentro dos brincos). No caso do gado europeu, o sistema é eficiente por causa da quantidade menor do que o rebanho brasileiro e porque o gado é manso e fica confinado.

No Brasil, o gado nelore, as raças zebuínas e seus cruzamentos que predominam na bovinocultura de corte não permitem o uso de brincos, pela quantidade do rebanho e porque os animais às vezes são violentos. Os métodos utilizados pelos pecuaristas são a marcação de ferro quente, brincos simples e tatuagens na orelha. A identificação é a base do rastreamento associado a softwares de gerenciamento do rebanho.

Ao identificar o animal, o pesquisador alimenta com informações um programa de computador e cruza dados. O rastreamento identifica, além da idade de abate do animal, a origem, sexo, raça, alimentação, vacinas e medicamentos que foram administrados, manejo sanitário, suplementação de ração na seca e seu histórico de ganho de peso.

A Embrapa utiliza dois tipos de chipe. Um para ser instalado no nascimento, na cicatriz umbilical e outro em animais adultos através do método de intrarumenal. O custo para o produtor será de aproximadamente R$ 8,00 a unidade. A tendência do próprio mercado, segundo a Embrapa, é que esse valor reduza ainda mais em função da produção do componente, por empresas nacionais.

Atualmente, o chipe utilizado pela Embrapa é importado. Em 2002, o rebanho brasileiro deverá adotar o rastreamento em sua totalidade. O projeto deverá ser acompanhado de políticas públicas de incentivo e fiscalização da rastreabilidade. Inúmeras empresas agropecuárias e produtores têm procurado a unidade da Embrapa de Campo Grande (MS) para conhecer o processo para posterior adoção do sistema de monitoramento em seus rebanhos.

Conforme a Embrapa, o mercado externo exige o rastreamento bovino, para confirmar dados importantes, como se o gado se alimenta de produtos vegetais, se está livre de doenças e sua origem. A recente crise européia ativou o mercado brasileiro e nunca se exportou tanta carne como nos últimos meses.

Com o Programa de Rastreabilidade implantado, as exportações serão incrementadas porque o comprador terá acesso a todas as informações do produto que está recebendo. A Vigilância Sanitária também se beneficiará do programa, buscando informações precisas, quando um foco de doença for detectado e chegar às causas do problema com mais rapidez. (M.A.B.)

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