Os produtores de tilápia de Itambaracá também têm motivos para comemorar, mesmo com os obstáculos que pretendem negociar com o ministro. Eles estão trocando as gaiolas de seis metros cúbicos (dois metros de largura, dois de comprimento e um e meio de profundidade), com potencial para produzir cerca de 800 quilos por ano, por outras bem maiores, com capacidade de 18 metros cúbicos (três metros de largura, três de comprimento e dois de profundidade), suficiente para produzir mais de duas toneladas.
O investimento nas gaiolas, que custam cerca de R$ 2,5 mil e são montadas por um empresário do próprio município, é uma nova etapa para que a produção seja suficiente para atender uma demanda que se vislumbra bem maior em poucos anos. A primeira etapa foi bem sucedida. A vacinação de todos os exemplares reduziu a quase zero a mortalidade nos tanques, que já alcançou 15% no início da atividade na represa. Por mais surpreendente que pareça, os peixes são vacinados por via cutânea, um a um.
Hoje, os dois condomínios de produtores do município são basicamente fornecedores de peixe para pesqueiros do Paraná e de São Paulo. Apenas um frigorífico, localizado em Fartura (SP), compra os peixes produzidos na represa de Canoas. Mas a escala de produção terá que aumentar algumas vezes com a implantação de unidades processadoras na região. Com a entrada em funcionamento de frigoríficos financiados com recursos federais em Cornélio Procópio e Pinhalão, a produção teria que ser completamente voltada às duas plantas que teriam uma capacidade de processar 12 toneladas por dia.
No entanto, a Emater alerta para a dificuldade de expandir a área de produção, por problemas de logística ou de condições naturais para a instalação dos tanques-rede. "Para instalar uma gaiola é necessário ao menos uma profundidade de 8 metros próximo da margem, além de um acesso terrestre para o local", explica Miguel Antonucci. O agrônomo, no entanto, acredita que os ganhos de produtividade com a queda de mortalidade e com as gaiolas maiores consigam triplicar a produção atual em Itambaracá, chegando a 3 mil toneladas por ano.
Uma das alternativas para ampliar a oferta a médio prazo é o investimento nos tanques escavados, que hoje ocupam 55 hectares na região. São 60 produtores que retiram 440 toneladas de pescados por ano. (L.F.M.)

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