Em Ibaiti desde 2006, em média, 200 pessoas são atendidas no Centro de Referência a Assistência Social (CRAS) por meio do projeto ''Ibaiti, melhor idade com dignidade.'' O projeto é pioneiro na região dentro das políticas públicas de cuidados à pessoa da terceira idade.
Concurso de miss, bailes, atividades físicas, controle diário da pressão arterial, excursões, intercâmbios, terapia em grupo são algumas das atividades realizadas. O resultado tem sido melhor que o esperado. ''Melhorou muito a qualidade de vida desses idosos após a participação no grupo da terceira idade. Não só na socialização, mas na questão da saúde. Muitos que tinham depressão tivereram inclusive alta da medicação'', conta a diretora municipal de assistência social ao idoso, Poliana Carvalho Constantino, uma das responsáveis pela implantação do projeto.
A iniciativa, de acordo com ela, é o pontapé inicial para preparar a comunidade para uma melhora na qualidade de vida para o futuro. ''Esse grupo funciona há seis anos e é a maior ação para a terceira idade com um projeto integral, com local exclusivo e equipe multidisciplinar. Com essa organização somos pioneiros. As outras cidades focam mais no entrenimento'', assegura.
Para ela, as políticas públicas voltadas ao idoso, de modo geral, têm de ser ampliadas e adequadas à realidade desse público. ''Um exemplo disso é a gratuidade das passagens que deveriam passar a ser estadual e não interestadual da forma que tem ocorrido. Muitas dessas pessoas têm parentes no Paraná, numa cidade vizinha e precisam abdicar do salário que ganham para se locomover. O que está escrito no estatuto é muito bonito, mas 50% do conteúdo ainda não é respeitado'', afirma.
Ela conta que, para os profissionais que lidam com esse público, o mais difícil é quando ocorre um óbito. ''Tivemos um caso de um idoso que realizou o sonho de conhecer um parque aquático e depois de uma semana morreu. Foi muito difícil conviver com isso. Precisamos trabalhar muito bem nosso lado emocional e psicológico para não sofrermos e adoecermos'', diz.
Atividades ecumênicas também são muito valorizadas pela diretora. ''Elas trabalham o espírito e a alma e aliviam sentimentos como raiva, mágoa, solidão e marcas do passado que não conseguiam ser esquecidas'', diz. Uma vez por mês são realizadas festas temáticas e um passeio escolhido pelos participantes. ''A prefeitura cede o transporte e nós realizamos promoções que incluem venda de alimentos como pamonhas, doces e feijoadas e os tradicionais bailes da terceira idade para angariar o montante e realizar o sonho de muitos deles'', comenta.
Quando o idoso chega, conforme Poliana, um cadastro minucioso é elaborado para saber os aspectos gerais de sua vida. ''Um dos itens que sempre estimulo é saber qual é o sonho que esse idoso tem que ainda não foi realizado'', diz. Ela explica que muitos deles chegam achando que a vida já acabou e trazem consigo sonhos simples como andar de mãos dadas, conhecer a praia, desfilar no dia do aniversário do município, comer picanha ou mesmo ganhar uma boneca. ''Nossa equipe precisa motivar esse idoso e mostrar que a vida dele está apenas começando'', enfatiza. (K.A.)

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