Cadernos cheirando fumaça, sujos de terra, mas com a tarefa em dia. Essa sempre foi a rotina na Escola Ophélia Mello Nascimento, em Santo Antônio da Platina. Localizada no conjunto Alceu Garbelini, área de maior vulnerabilidade social do município, a escola é cercada pelos bairros Aparecidinho I,II, III, Álvaro de Abreu e Vila Ribeiro. Atende cerca de 300 alunos do ensino fundamental, a maioria filhos de trabalhadores rurais e empregadas domésticas.
Mas as condições precárias de higiene do material e do uniforme escolar de parte dos alunos nunca foi bem aceita pelos professores da escola. Somados a isso estavam ainda a falta de atenção e a dificuldade de aprendizado.
Para confrontar essa realidade e melhorar a aprendizagem dos alunos, professores da escola foram a campo na semana passada para pôr em prática, pela segunda vez, o projeto Escola e Comunidade: parceria fundamental. O objetivo é conhecer de perto a realidade desses alunos para criar ações que estimulem o desenvolvimento intelectual e melhorem o aprendizado em sala de aula.
Segundo a diretora Jussimary Pereira Arantes, o que mais a motivou no desenvolvimento do projeto foi a possibilidade de desmistificar o medo que os professores sentiam em dar aulas na escola. ''Na época troquei uma escola tradicional do centro, toda estruturada por uma escola que estava iniciando. Vim para cá como professora, tentando fazer algo diferente e o pessoal que foi chegando comprou a ideia de querer dar algo mais para a comunidade. Se a equipe de ensino não aderir, não adianta a direção e a coordenação querer'', conta.
Ela explica que os resultados obtidos com as visitas têm surtido o efeito esperado e surpreendido professores, coordenação pedagógica e a direção da escola. ''Os alunos sentem-se mais valorizados têm prazer em vir para a escola. A melhora em sala de aula é significativa. A evasão escolar diminuiu. Hoje quando os alunos faltam os pais avisam, apresentam atestado'', comemora a diretora.
Há três anos, segundo ela, não havia infraestrutura no local e as famílias não participavam das atividades escolares. ''Hoje os pais têm preferência pela escola, incentivam os filhos e fazem questão de participar de todas as atividades. Quando não podem comparecer enviam algum familiar ou se justificam para as crianças'', explica.
Jeová Francisco da Silva, 36 anos, é pai do aluno Edson Francisco da Silva, do 2º ano do ensino fundamental. Morador das imediações da escola há mais de 20 anos ele já teve três, dos seus quatro filhos, estudando na instituição e confirma as mudanças promovidas pelo projeto. ''O contato que os professores têm com a família do aluno aumenta a autoestima das crianças, da comunidade. As crianças ficam mais responsáveis, mais estudiosas e obedientes.'' Para ele, as atividades pedagógicas diferenciadas estimulam as crianças, tornando-as mais atentas e permitindo que elas se sintam mais confortáveis na escola.

mockup