Em busca de alimentos, animais silvestres morrem atropelados
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quarta-feira, 25 de julho de 2012
Eli Araujo <br> Reportagem local 
A morte de animais silvestres por atropelamento é algo que está se tornando rotina nas rodovias do Norte Pioneiro, embora não haja estatísticas. E a causa principal é o desmatamento acima do comum que pode ser observado na região, tanto em vastas áreas devastadas, como no topo das montanhas. Os pequenos espaços que restam das florestas são insuficientes para a sobrevivência dos bichos, que são obrigados a percorrer longas distâncias em busca de alimentos.
A informação é do professor de zoologia de vertebrados, Marco Antonio Zanoni, do curso de Biologia da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp). Segundo ele, com a degradação ambiental, os animais se sentem obrigados a procurar outras áreas em busca de alimentação, para dormir ou para se protegerem. E é esta migração para outros lugares que provoca os atropelamentos, quando eles tentam atravessar as rodovias tanto as de trânsito intenso quanto às secundárias na zona rural.
Além disso, o professor afirma que alguns animais são ''territorialistas'', ou seja, marcam o seu espaço, e cita como exemplo a disputa por território entre as onças pardas. São disputas que geram um ganhador e um perdedor e o perdedor tem que sair em busca de um novo ambiente para sobreviver. É por isso que enventualmente as onças aparecem em fazendas ou áreas urbanas. ''As pessoas podem até pensar que está aumentando o número de onças, mas na verdade acontece o contrário porque elas estão fugindo da fragmentação; a área ficou tão pequena que os animais não têm como sobreviver naquele espaço e vão para outro lugar'', afirma o professor.
Zanoni diz que a maioria dos atropelamentos é causada por excesso de velocidade. Os motoristas podem até perceber que o animal está atravessando a rodovia, mas não têm tempo de desacelerar o veículo, o que pode provocar acidentes.
Segundo ele, uma forma de amenizar o problema seria o mapeamento dos locais onde os atropelamentos acontecem com maior frequência e também a aplicação de multas aos motoristas que abusam da velocidade. ''O certo seria colocar equipamentos que obriguem o motorista a dirigir em uma velocidade razoável e fazer sentir no bolso em caso de excessos, forçando ele a refletir sobre a necessidade (de preservar esta fauna)'', explica Zanoni.
Como não há perspectiva de que o problema tenha uma solução a curto prazo, o professor sugere que os animais atropelados sejam encaminhados para as universidades, onde podem ser utilizados como objeto de pesquisa pelos estudantes. ''Os animais mortos podem estar em condições de serem aproveitados para a realização de pesquisas nas universidades, com os esqueletos sendo usados nas aulas práticas com os alunos de Biologia, mas isto depende de autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP)'', justifica.


