A união entre as secretarias de Ação Social e de Educação de Barra do Jacaré tem feito diferença na vida de crianças e adolescentes de famílias de baixa renda. Por meio do Projeto Vida Nova eles recebem educação voltada às artes e respeito ao próximo. Referência na região, o projeto surgiu há 13 anos como Associação de Capacitação para Criança e Adolescente (ACCA), com o objetivo de erradicar o trabalho infantil no campo.
A secretária de Educação, Cultura e Esportes, Alcia Tironi dos Santos, afirma que a decisão de transformar a associação em um projeto ocorreu há dois anos e recebeu apoio de segmentos da sociedade. ''As pessoas acreditaram que Vida Nova pudesse se tornar num espaço de acolhida não somente para a educação formal, mas num local que desse capacidade aos nossos alunos para enfrentar a vida diária. Por isso decidimos investir no artesanato e nas artes.''
''Vivo o projeto e trabalho por ele a cada dia. Eu sei como é dura a vida de crianças cujos pais enfrentam dificuldades diárias provocadas por um salário, em alguns casos, abaixo do mínimo'', frisa a coordenadora do Vida Nova, nascida em Londrina e adotada por uma família de Barra do Jacaré, onde chegou ainda bebê. Ela entrou no projeto como monitora há três anos e não pensa em largá-lo tão cedo.
No projeto estão matriculados 169 alunos, com idades entre 6 e 17 anos, mas outras 50 crianças e adolescentes estão inscritos numa lista de espera. A casa de 180 metros quadrados é divida em salas que acomodam meninos e meninas, separados por sexo e faixa etária. O prédio da instituição vai ganhar nova extensão, com a construção de um refeitório, uma cozinha e sala de jogos. Além dos banheiros, a instituição tem uma lavanderia.
Entre as atividades, realizadas de segunda a sexta-feira das 8 às 17 horas, estão aulas de informática, dança, teatro, capoeira, música. Eles também aprendem artesanato, como bordado, crochê, pintura em papel cartão, sulfite e montagem de objetos com aproveitamento de materiais recicláveis. Em breve, vão contar com um cineclube e uma oficina de leitura. Na Sala de Apoio, os alunos de primeira à quarta série estudam as tradicionais disciplinas escolares.
A coordenadora do projeto Grasiele Alboneti informa que o prefeito Edimar de Freitas Alboneti pretende unir o Vida Nova com uma escola do minicípio, a Pio XII, com o objetivo de oferecer o contraturno escolar.
Geração de renda
Os primos Deyse Caroline de Oliveira, 17, e Reginaldo dos Santos Bezerra, 18, depois de estudarem no projeto por oito anos, estão atuando como estagiários. ''Tivemos aqui o estímulo para tornarmos mais criativos. Graças ao projeto ocupamos nossos tempos com coisas boas, como o teatro e a dança. O projeto nos prepara para conquistarmos melhores oportunidades de trabalho'', avalia Reginaldo.
As aulas de artesanato, segundo a instrutora Elizangela dos Santos Bento, visam desenvolver o lado criativo das crianças. ''Lidamos diariamente com cores, papéis, objetos. Os alunos são estimulados a usarem a imaginação na criação de peças com o toque artístico de cada um. O artesanato é inclusivo e pode levar essas crianças a se profissionalizarem usando o aprendizado como fonte de renda.''
Todos os objetos produzidos pelos alunos são comercializados em um bazar beneficente. Caixas ornamentadas, bonecas, porta-retratos, potes decorados, panos bordados estão entre os produtos oferecidos. A renda é revertida para a instituição.

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