EDITORIAL
Paralelos
A Folha apresenta nesta edição a coragem e contesta a tradição. O objetivo das investigações jornalísticas de apurar e demonstrar a realidade supera as avaliações individuais. Nossa meta é proporcionar novas luzes sobre caminhos percorridos e promover a discussão sobre as situações que promovem o progresso ou que, devido às contingências históricas, são isoladas e gradativamente superadas. As ações devem ser compatíveis com nosso meio e representar nossa realidade, quer seja na dificuldade de competir, quer seja nos excessos legislativos.
As Câmaras de Vereadores das principais cidades do Norte Pioneiro devem fechar suas portas por cerca de 60 dias. O recesso no período de férias, tido como prática tradicional na região, impressiona, mas não convence. A atitude demonstra uma desafinação evidente entre a população e a classe política.
O salário incompatível com a realidade da maioria dos assalariados não é compreensível, mas é justificado, de acordo com os vereadores, pela importância da função. No entanto, o vácuo legislativo de dois meses é uma prerrogativa que não condiz com o atual cenário político e administrativo dos municípios.
A Folha fez um levantamento nas principais cidades da região e constatou que o recesso começa, na maioria das vezes, na metade de dezembro e o encerramento previsto para meados de fevereiro. A impressão promovida por administrações municipais de Estado enxuto e administrativamente viável parece que só se aplica aos cortes em orçamentos nos setores de Educação e Saúde, mas não se aplica ao empenho de vereadores e as regalias com ares de século passado.
Também mostramos a dificuldade de se obter vitórias. O atleta Luiz Carlos de Souza, vencedor de várias competições e recordistas em provas no Paraná, demonstra que a competição contra os adversários não se limita às pistas ou às ruas, mas a adversários cotidianos como cansaço, ausência de patrocínio e de estrutura, sacríficio e anonimato. O atleta que representa Santo Antônio da Platina e que funciona como um mecanismo de atração de investimentos e de divulgação da cidade, em cada competição conquistada passa despercebido entre tantas prioridades de lideranças políticas e empresariais.
Nossa matéria impressiona pelo entusiasmo e paixão demonstrados pelo atleta e pelo técnico Jaime Sacco. Apesar de tantos esforços e dificuldades, a dupla acredita que o trabalho está apenas no início. A perspectiva é de que nas próximas provas, com o decorrer do desenvolvimento, as vitórias e as marcas sejam ampliadas. Nosso herói anônimo que corre sozinho diariamente leva com orgulho a bandeira de seu município. Uma simplicidade que comove e prova para a realização de grandes atos basta coragem e determinação.





