Consciência

A suspensão da função do delegado ''calça-curta'' expôs uma antiga ferida no setor de segurança pública do Paraná. Aprendemos a conviver com pessoas indicadas por políticos que não incorporavam as características adequadas ao exercício da função. Nos acostumamos com uma situação arbitrária e, senão ilegal, imoral devido aos ideais de justiça e seriedade que norteiam ação do Judiciário.

A polêmica sobre a necessidade ou não da designação de um delegado para cada município, independente do número de habitantes, suscita uma oportunidade de redenção às comunidades que permitiram a supressão do profissionalismo e competência em detrimento ao oportunismo e comodidade.

A reflexão adequada não limita a discussão à realização de um concurso para contratação de um profissional, mas a formação de núcleos que discutam para reivindicar, além do delegado, investimentos, investigadores e equipamentos.

A discussão sobre a definição de requisitos para determinar os critérios que definem o perfil de uma cidade apta a receber um delegado e de outra incapaz de abrigá-lo merecem discussão e atenção, porém encobrem uma necessidade muito mais urgente e complexa. A necessária definição da postura e da intensidade da inserção da comunidade na discussão dos problemas referentes à segurança pública.

Um delegado admitiu a necessidade da implantação de Conselhos Regionais de Segurança que poderiam avalizar políticas públicas e coordenar a discussão sobre estes problemas. A necessidade de inserção da comunidade neste contexto como agente ativo requer urgência, além de discussões técnicas, existe a necessidade de definições claras sobre o modelo de Polícia Civil que a sociedade quer. Finalmente, o papel de cada cidadão neste processo requer muito mais do que a exigência de delegados ou de assistente, requer empenho, determinação e consciência.

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