EDITORIAL
A permanência de depósitos de lixo a céu aberto com a exploração comercial dos detritos por catadores de lixo e a proliferação de insetos não é um cenário compatível com o atual estágio de desenvolvimento da civilização. A manutenção destes tipos de guetos depõe contra o município e sintetiza a preocupação de lideranças políticas nas questões sanitárias, sociais e ambientais daquela comunidade, e em particular, dos seus dirigentes.
Os índices divulgados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) demonstram que mais de 60% das prefeituras não apresentam programas efetivos de depósito ou processamento do lixo. O armazenamento adequado por meio de aterros sanitários começou a ser implantado em algumas cidades, mas a solução mais sofisticada com a reciclagem através de usinas é utilizada apenas em duas cidades na regional do IAP Carlópolis e Ibaiti. Além da destinação final do lixo é vital a conscientização da comunidade sobre a importância e eficácia da coleta seletiva do lixo na geração de empregos e na manutenção de um meio ambiente adequado.
A manutenção dos lixões em áreas desabitadas e a permanência de pessoas marginalizadas nestes locais permitem a omissão da sociedade e garantem sua impunidade. A implantação de políticas públicas para solução destes problemas está restrita aos setores do meio ambiente, sem a efetiva participação da comunidade.
A solução destes problemas não será implementada em um prazo específico de tempo, mas no momento em que houver o compromisso da comunidade e o seu engajamento teremos mais referências para avaliar o comprometimento das pessoas com a saúde e com o meio ambiente, enfim, com a cidadania.





