A Rede de Viação Paraná-Santa Catarina foi uma das 14 divisões da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), companhia de economia mista efetivada em 1957 e que, por uma série de circunstâncias, entrou em decadência. Mesmo com a privatização de uma parte, a RFFSA tem prejuízo de R$ 17,6 bilhões e entra em liquidação, em 1996. Em 2004, com dívida superior a R$ 13 bilhões, a maior parte trabalhista, o presidente da República decreta a sua extinção. Simultaneamente, a medida provisória 346 abre crédito extraordinário de R$ 452 milhões para pagamento dos encargos consequentes.
Mesmo com um porcentual da estrutura da RFFSA privatizado, sobrou um ''patrimônio indefinido'', expressão oficializada ante a falta de números aproximados, que seria transferido ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). O leito, os núcleos habitacionais e estações do extinto sub-ramal Wenceslau Braz-Figueira já vinham sendo ocupados, tendo uma parcela menor passado ao domínio de alguns municípios, por compra e doações, e particulares se apossado da maior parte, na zona rural e nas cidades.
''Faz uns oito anos que entramos aqui. Até hoje não temos luz'', diz Maria Aparecida de Paula, numa das casas do antigo núcleo da Turma 30. O marido trabalha fora. As três famílias vizinhas no núcleo têm algumas árvores frutíferas, criam porcos e galinhas para o consumo e um dos quintais é depósito de materiais recicláveis.
Maria Aparecida conta que a família morava em outro extremo do município, no sopé do ''Pico Agudo''. E sabe que as casas no núcleo ''eram da linha do trem'', mas ninguém interpelou a família por estar ali. ''Acho que eles sabem que, se forem mexer, vão ter de dar outra casa pra gente'', supõe. (W.S.)

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