E a saúde, como vai?
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de março de 2012
Wilhan Santin<BR>Especial para a FOLHA 
Os números do Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (IDSUS), revelados na última semana pelo Ministério da Saúde, fornecem um diagnóstico detalhado de todos os municípios brasileiros, divididos em seis grupos homogêneos de acordo com características de desenvolvimento socieconômico e de estrutura do sistema de saúde de cada um.
A FOLHA publica hoje tabela completa da nota obtida por cada um dos 46 municípios que formam o Norte Pioneiro, respeitando a divisão em grupos, como determina o Ministério da Saúde. Na região, há municípios nos grupos três, cinco e seis. Trata-se de um documento para os gestores municipais e usuários do SUS. Por meio dele, é possível traçar um comparativo com outras cidades e planejar melhorias. Secretários de saúde entrevistados para esta reportagem ainda não conheciam os números de seus municípios.
No geral, o IDSUS fornece dados que podem ser considerados preocupantes. Segundo cálculo da FOLHA, a média de toda a região - que chega a abranger quatro regionais de saúde do Paraná - é 6,06; menor que a média do Estado, que é 6,23. A média do País é 5,46.
Olhando as tabelas de forma mais detalhada, o que se vê é uma situação de várias cidades com notas semelhantes, mas com um abismo separando alguns municípios. No grupo cinco, por exemplo, enquanto Pinhalão tem nota 7,12; Santa Mariana alcançou apenas 4,87.
Uma tarde em frente ao Hospital Municipal Santa Amélia, de Santa Mariana, é suficiente para compreender o motivo de avaliação tão baixa pelos técnicos do Ministério da Saúde. O Santa Amélia, na verdade, tem hospital somente no nome. Por ali, ninguém é internado. Toda a estrutura é ocupada pela secretaria de saúde. Nos quartos, em vez de leitos, há papéis. Nos fundos funciona o pronto-atendimento municipal, onde um médico tem que dar conta de atender a população de 12,4 mil habitantes sem dispor sequer de um aparelho de raio-x. Resta ao profissional encaminhar os casos mais graves para consultas com especialistas, no Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte do Paraná (Cisnop), na vizinha Cornélio Procópio, sede da 18 Regional de Saúde, a 20 quilômetros.
Com o encaminhamento na mão, o paciente passa a sofrer com a demora para conseguir uma vaga com o especialista. Sentindo dores nas costas, a estudante Pâmela Paula dos Santos, 16 anos, saiu da consulta com o plantonista do município portando um pedido de radiografia. Foi informada pelas funcionárias do Santa Amélia que deve retornar no dia 16, não para fazer o exame, mas para saber para quando ela poderá ser agendado. Para consultar com ortopedista não há previsão. O motorista José Batista dos Santos, 65, enfrentava situação semelhante. Mal conseguia falar por conta das dores no abdômen. Com um pedido de ultrassonografia nas mãos, seguiria para Cornélio Procópio em busca de atendimento particular.
Já a dona-de-casa Tereza Garcia Reis, 52, relatava que há dois anos fizera cirurgia no olho direito por conta de uma catarata. O agendamento para operar o outro olho demorou tanto que ela já não tem mais visão do lado esquerdo. ''O grande problema é que faltam médicos'', indigna-se Claudete Garcia, filha de Tereza.
A secretária de saúde de Santa Mariana, Aiza de Matos Silva, reconhece os problemas. ''A demanda é muito grande. O próprio Cisnop tem dificuldades para contratar especialistas, com isso nossa demanda vai ficando acumulada'', comenta. Sobre possibilidade de investir em uma estrutura básica mais ampla, ela explica que a estratégia do município é investir em veículos para levar a população para outros municípios. Mesmo assim, a frota tem baixas. Um micro-ônibus, duas ambulâncias e um automóvel estão em manutenção.
''Todos os dias atendo em torno de 50 pessoas e procuro resolver os casos mais graves pontualmente'', finaliza a secretária. Do lado de fora, três senhoras que voltavam de hemodiálise aguardavam transporte para ir para casa, em distritos rurais do município, sem previsão de horário de partida.


