Santo Antônio da Platina - Ao menos um caso de violência doméstica é registrado todos os dias na 38ª Delegacia Regional de Polícia, em Santo Antônio da Platina. No entanto, 50% dos inquéritos instaurados são arquivados porque as vítimas se arrependem e acabam desistindo de representar criminalmente contra seus companheiros, que na maioria dos casos continuam praticando as agressões pela convicção da impunidade.
Os números, entretanto, representam apenas uma pequena porcentagem das mulheres que diariamente são espancadas dentro de suas casas no município com 45 mil habitantes, pois, segundo a polícia, 90% das ocorrências atendidas são encerradas ainda no local da violência.
Casada há 16 anos e mãe de três filhos, a manicure F.A.S, de 37 anos, é uma das vítimas que há anos convive com a violência doméstica. Ela chegou a denunciar o companheiro à polícia, mas retirou a queixa por conta das ameaças que diz ter sofrido do parceiro. "Ele é uma pessoa boa, trabalhador e bom pai, mas infelizmente é alcoólatra. Todos os dias chega bêbado em casa e não aceita ser contrariado, qualquer besteirinha é motivo para o início das agressões (verbais e físicas)", conta ela, lamentando que na maioria das vezes os filhos presenciam tudo. "Tento mostrar para as crianças as consequências do vício ao invés de jogá-los contra o pai, mas eles também já não estão mais suportando tanta violência", comenta, lembrando a vez que denunciou o companheiro à polícia. "Foi uma única vez, mas desisti de processá-lo devido às muitas ameaças de morte que ele fez a mim e aos meus filhos. Sinceramente? Não sei até quando vou suportar conviver com esse dilema, mas foi a escolha que fiz. Rezo todos os dias pela proteção da minha família para que nada de mal nos aconteça", conclui emocionada.
De acordo com a escrivã da 38ª DRP, Josiani Viana, a maioria dos casos de violência doméstica é motivada por alterações psíquicas provocadas pelo consumo de álcool e entorpecentes, e por ciúmes. As agressões, quase sempre, acontecem na frente dos filhos, que acabam sendo as únicas testemunhas nos inquéritos instaurados para investigar as denúncias.
Conforme a Polícia Civil, em muitos dos casos de violência doméstica a consequência é trágica. Entretanto, o último feminicídio registrado no município ocorreu em abril de 2009, quando o dentista Edson Simões Castilho assassinou sua esposa - a estudante de Direito Taciane Rocha Gonzales (à época com 23 anos), e a babá da filha do casal, Maria Aparecida da Silva (57 anos). O crime, segundo as investigações, foi motivado por ciúmes. Castilho cometeu suicídio na Penitenciária Estadual de Londrina, dias antes do seu julgamento.

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