Diretora reclama de atraso para eleição na Uenp
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Eli Araujo<br>Reportagem Local 
Cornélio Procópio A demora para a escolha do novo reitor da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) está causando certo descontentamento em alguns setores da instituição. A eleição para substituir o reitor Eduardo Meneghel Rando, que pediu afastamento por problemas de saúde, deveria ter acontecido no último trimestre do ano passado.
A diretora do campus da Uenp em Cornélio Procópio, Fátima da Cruz Padoan, diz que o atraso se deve à "manobras" do reitor em exercício, Rinaldo Bernardelli Junior, o que, segundo ela, estaria causando uma "instabilidade administrativa".
Fátima, que é candidata declarada à sucessão, seja para um mandato tampão até o fim deste ano ou para o período normal de quatro anos, concedeu uma entrevista à FOLHA sobre o assunto.
Por que a senhora acredita que há esta indefinição para a escolha do novo reitor?
Na verdade, a sucessão já estava definida pelo Conselho Universitário. Nós tivemos uma comissão que elaborou o regulamento eleitoral, e ele foi enviado a reitoria. O reitor em exercício o encaminhou para a Câmara de Legislação do Conselho Universitário. A câmara apreciou e encaminhou ao conselho, que aprovou o regulamento eleitoral por unanimidade. O cronograma das eleições também foi apreciado e aprovado. E ficou previsto para o começo de dezembro que haveria uma portaria nomeando a comissão eleitoral que foi indicada na própria reunião do conselho. Só que esta portaria só saiu em janeiro, e está condicionada a um questionamento que a reitoria fez à Procuradoria Geral do Estado (PGE). E o reitor em exercício coloca que os trabalhos da comissão eleitoral só podem efetivamente começar depois da resposta da procuradoria.
Porque a senhora acha que está havendo todo esse impasse?
Não sei o motivo, mas acho que a autonomia universitária não está sendo obedecida. Ela está sendo desconsiderada.
Está sendo desconsiderada por quem?
Pelo atual reitor. Eu vejo isso porque o Conselho Universitário é o órgão maior da universidade. O atual reitor, o professor Rinaldo, poderia até questionar porque ele tem a opção de veto de qualquer decisão do conselho, mas se vetasse alguma decisão, ele teria 72 horas para levar até o conselho, que iria apreciar os motivos do veto. E ele não fez isso. O problema é que não foi feito da forma como prevê o estatuto e o regime dos conselhos superiores da universidade. Por conta disso, houve um atraso nesta eleição. O Conselho Universitário até pediu uma nova reunião para o reitor, mas não obteve êxito nisso. Nós queríamos uma explicação do porquê aquilo que foi decidido na universidade não tinha sido acatado.
O atual reitor estaria protelando o processo eleitoral?
A meu ver, isso é uma protelação sim. Se não está sendo obedecido o que está no regimento, se há alguma discordância do atual reitor, ele poderia chamar o Conselho Universitário e discutir isso com o conselho, que é quem tem todas as prerrogativas para poder discutir esse assunto. Eu vejo isso como um momento muito delicado na universidade. Não devemos fazer nada às pressas ou desconsiderando a legislação. Temos que ter a máxima cautela nesse momento, que é um momento histórico na universidade, mas também que o Conselho Universitário não pode ser desconsiderado. Podemos ter 10 reuniões (do conselho) se for necessário, mas elas precisam acontecer.
A senhora é candidata?
Sim.
Agora, a senhora é favorável a um mandato tampão para terminar este ano ou a uma eleição definitiva para os próximos quatro anos?
Este assunto também foi discutido no Conselho Universitário e ficou decidido que o estatuto da universidade deve ser respeitado. Segundo ele, se houver vacância do cargo de reitor, o vice tem que chamar o Conselho Universitário para organizar as eleições. O conselho decidiu que deveria haver uma eleição para mandato tampão e uma outra que vai acontecer em agosto (deste ano). Foi uma decisão por unanimidade.
Essa indefinição está causando algum prejuízo para a instituição?
Eu acredito que causa sim. Há uma instabilidade administrativa. Nós temos várias decisões a serem tomadas. A instabilidade existe não porque o atual reitor não tenha capacidade de administrar, não é isso. Mas até a composição da equipe do atual reitor fica prejudicada. Eu vejo que isso causa uma instabilidade na universidade como um todo.



