Dia Mundial das Comunicações
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de maio de 2001
Dom Fernando José Penteado 
No dia 27 de maio comemorou-se o 35º Dia Mundial das Comunicações. No Concílio Vaticano II (1962-1965), a igreja publicou, entre outros documentos, o decreto intitulado Inter Mirifica, sobre os meios de comunicação social. Este documento salienta que o direito à informação é intrínseco à sociedade humana. Destaca também que o correto uso do direito à informação exige que a comunicação seja, quanto ao seu objetivo, sempre verdadeira e, salva a justiça e a caridade, íntegra, honesta e equilibrada. E por isso deverá ser exercida livremente, sem coação.
A igreja não pode estar ausente do campo da comunicação. Se, por um lado o homem é, por excelência, uma criatura que se comunica e cria relacionamentos, a igreja, por outro lado, é também, por excelência, comunicadora de Jesus Cristo à toda criatura, devendo usar, para isso, todos os meios que a humanidade dispõe para anunciá-lo.
Ainda mais: Jesus não veio tirar seus discípulos do meio do mundo, mas inseri-lo mais profundamente na sociedade, enviando-os a todas as nações com a missão do anúncio e do serviço. (conf. Jo 13, 14; 20,21).
Um dos grandes serviços de que a humanidade precisa é a verdadeira comunicação. É por ela que a humanidade se educa nos seus valores, haja vista os últimos acontecimentos políticos no Brasil. É por essa razão que a Igreja, a cada ano, celebra o Dia das Comunicações com um tema específico.
Comunicações sociais e a família, Comunicações sociais perante os direitos e deveres fundamentais do homem, A ética na publicidade, As comunicações a serviço da liberdade responsável, foram alguns dos temas explanados nesses 35 anos.
O tema escolhido pelo papa João Paulo II para 2001 foi Anunciai de cima dos telhados: o Evangelho na era da comunicação global. Este tema baseia-se em Mateus: O que ouvir em segredo, proclamai por cima dos telhados (Mt 10,26).
É verdade haver certa indiferença dos meios de comunicação à fé e à moral cristã. Mas ainda, muitas vezes, em vez de evidenciarem a dignidade humana e a fraternidade, incitam à violência e ao individualismo. No entanto, esses mesmos meios devem ser usados para anunciar o caminho de Jesus.
Não podemos nos escusar de comunicar a paz e a verdade, de sermos sal e luz. Sempre estarão ecoando em nosso coração as palavras de Jesus: Estava com fome, e você me deu de comer; estava preso e você me visitou (Mt 25, 35.36): porque haverá sempre ao nosso lado alguém com fome de Deus e da Justiça, ou, preso a preconceitos e a escravidão do pecado.
Seja você, caro leitor, um bom comunicador.
- Dom Fernando José Penteado é bispo de Jacarezinho


