Desvio de pedágio destrói rodovia
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terça-feira, 24 de abril de 2012
Eli Araujo <br> <br> Reportagem local 
O tráfego de caminhões pesados está acabando com alguns trechos da PR 092 no Norte Pioneiro. O movimento é intenso e o resultado pode ser visto na situação da rodovia. O trecho mais prejudicado fica entre Andirá e a divisa com o estado de São Paulo, passando pelo distrito de Nossa Senhora Aparecida. O outro trecho, entre Andirá e Santo Antonio da Platina, com quase 40 quilômetros, está sendo recuperado depois das ondulações que se formaram em vários pontos (leia mais nesta página). A rodovia é secundária e não foi projetada para um trânsito tão pesado e intenso.
Os motoristas de caminhão que viajam entre os estados do Paraná e São Paulo pelo Norte Pioneiro preferem aumentar a distância ao destino entre 20 a 40 quilômetros a terem que pagar o pedágio que se localiza na BR 369, em Jacarezinho, quase na divisa com o estado vizinho.
O pedágio nesta praça está R$ 10,40 por eixo, no caso de caminhões. Ou seja, um veículo com cinco eixos vai pagar R$ 52,00 cada vez que passar pelo local. O valor é maior do que os gastos com óleo diesel para fazer o percurso pela rodovia secundária.
O motorista Luis Cláudio de Carvalho faz o percurso entre Ponta Grossa e o interior de São Paulo uma vez por semana. Ele diz que transporta qualquer produto a granel em sua carreta com sete eixos. Se fosse passar pela praça de pedágio, ele iria pagar R$ 155,60 para ir e voltar.
Fazendo o desvio, a viagem para Marília aumenta em 25 quilômetros, mas a economia fica em torno de R$ 100. Carvalho concordaria em pagar o pedágio, desde que o valor fosse menor. ''Se eles cobrassem a metade, já compensaria para a gente'', afirma.
O motorista Jailson de Souza, de Ilhota (SC), transporta cargas em contâiner e diz que passa duas ou três vezes por semana pela região. ''O que eles cobram (de pedágio) é um absurdo'', reclama. A carreta dele tem seis eixos. Se fosse passar pelo pedágio, iria gastar R$ 124,80, ida e volta. Para ele, o desvio também representa uma economia de quase R$ 100.
Souza discorda da cobrança do pedágio porque, segundo ele, existe o Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA), que tem a finalidade de conservar as rodovias. ''Tinha que ser uma coisa ou outra: ou você para o IPVA ou paga o pedágio'', sentencia.
O resultado do tráfego intenso é que a rodovia está em condições precárias em quase toda a sua extensão. No distrito de Nossa Senhora Aparecida, por exemplo, é possível observar as ''costelas'' formadas na pista que corta a localidade. Em alguns pontos, o desnível chega a 20 centímetros. Neste trecho, o estrago é ainda maior porque o trânsito aumenta com os motoristas que procedem do Norte do estado.
O empresário Edson Renato Moreira, do setor de embalagens, mora em Assis, no interior de São Paulo, e viaja quase todo dia para o Norte Pioneiro para atender sua clientela. Ele passa toda vez pela PR 092 em direção a Andirá e o que mais chama a atenção é o estrago na rodovia que corta o distrito. Moreira usa o trecho por ser seu itinerário normal e não para fugir do pedágio.
O empresário diz que o desnível pode causar danos a veiculos pequenos que passam pelo local, em especial nos amortecedores, suspensão e freios.
Para ele, deve haver algum interesse escuso em manter aquele trecho da rodovia em situação crítica, o que obriga os motoristas a passarem pela praça de pedágio.
Vários pontos da PR 092 perto do distrito estão com sinalização nos pontos mais críticos, o que pressupõe que a rodovia está para ser recuperada. O trecho entre Santo Antonio da Platina e Andirá, que estava bem deteriorado há poucas semanas, está sendo recuperado por operários do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná.
O movimento de caminhões na PR 092 segue normal. Enquanto os operários recuperam a rodovia de um lado, os motoristas trafegam com os caminhões pesados por outro.



