Vejo a necessidade da criação da Agência de Desenvolvimento do Norte Pioneiro (ADNP) como parte do processo de fortalecimento da capacidade regional a partir da idéia do ''local'' para formular, articular e promover iniciativas e ações de impacto positivo sobre a economia e a qualidade de vida em todas as cidades da região. A iniciativa de criação da Agência, assim como de outras possíveis entidades, só vem a reforçar um dos princípios do projeto que consagra ''o fortalecimento da municipalidade como espaço privilegiado de gestão democrática e criativa, de solidariedade social e de valorização da cidadania''.
Se a ADNP conseguir estabelecer e fazer compartilhar um entendimento comum e consistente do que deva ser o perfil do desenvolvimento regional, poderá ocupar um lugar de liderança na articulação das principais forças, idéias e projetos indispensáveis à promoção do desenvolvimento dos municípios para não passar de mais uma tentativa.
Sobre o perfil desse projeto convém voltar ao disposto no conceito principal: deve ter a promoção do homem como fim; deve perseguir a justa distribuição pessoal, setorial e espacial da renda; deve ser economicamente viável (ou seja: consistente com o nível e potencial dos recursos existentes ou mobilizáveis); e por fim, deve primar pelo uso racional dos recursos naturais, de modo a garantir o equilíbrio ambiental (abrigo, proteção e promoção da vida em todas as suas formas, agora e no futuro).
A região do Norte Pioneiro está pronta para dar respostas rápidas aos desafios da gestão, seja nas áreas públicas ou privadas. É difícil imaginar, no mundo atual, a possibilidade de se efetivar uma adequada coordenação dos processos de trabalho sem que se tenha por base uma infra-estrutura comum e compartilhada para a geração, processamento, armazenamento, comunicação e uso da informação a partir dos governos municipais.
Dois propósitos antagônicos podem fundamentar uma proposta de gestão da informação: desenvolver formas de gestão mais participativas, horizontais e transparentes ou, ao contrário, reforçar os sistemas baseados no controle e na hierarquia. Seja como for, as formas atuais de uso das tecnologias da informação têm falhado em ambos os propósitos.
Assim, não há como não se estranhar frente à abundância de tecnologias da informação convivendo lado a lado com a absoluta falta de informações relevantes e fidedignas em nossos espaços de trabalho.
Pessoas, governos, organizações sociais e empresas conectados, cooperando entre si, compartilhando objetivos, recursos de informação e conhecimento em tempo real, dando visibilidade e transparência a suas ações: eis uma imagem do que deveria ser o Sistema de Regional de Informações como uma das grandes infra-estruturas da cidade inteligente, capaz de construir uma solidariedade local na era dos espaços intemporais dos fluxos construídos em tornos das redes. Todo esforço de desenvolvimento regional tem como perspectiva a inserção do lugar na nova ordem dos fluxos, de forma a construir sinergias para a promover seus aspectos positivos (novos investimentos produtivos, assimilação tecnológica, geração de emprego e renda) e, ao mesmo tempo, conter seu potencial destrutivo sobre o meio ambiente, a cultura, a solidariedade e toda experiência humana construída em torno do território.
Eis que a agenda do desenvolvimento regional deverá ser construída como resposta coletiva a essa questão. Coletiva sim, porque a temática do desenvolvimento é suficientemente vasta, complexa e desafiante para não pertencer a um determinado segmento da comunidade, mas a toda ela.
CARLOS VINICIUS MALULY é professor universitário e diretor geral da Faculdade do Norte Pioneiro (Fanorpi) em Santo Antônio da Platina

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