Depois de descoberto um crime de violência sexual contra incapaz, a dúvida que fica é qual o impacto que isso pode causar na vítima da agressão. A psicóloga e professora assistente do Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade do Norte do Paraná (UENP), Suédina Brizola Rafael Rogato, diz que os reflexos na formação do indivíduo podem variar de acordo com a maneira como a criança é tratada.
Segundo ela, o papel da família é representativo e pode ser determinante na forma como a vítima vai superar o trauma. ''Se a família se desorganiza e fica fragilizada diante da criança, isso potencializará o sentimento de insegurança. Porém, se os pais forem se equilibrando, oportunizando segurança e fazendo trocas afetivas, isso dará condições à criança de ir elaborando o que aconteceu'', afirma. Por isso, a professora indica que tanto os pais quanto a vítima sejam submetidos a tratamento psicológico.
Orientadora do Núcleo de Estudos de Defesa e Direitos da Criança e Juventude (NEDDIJ), ela destaca ainda que é difícil identificar que há algo de errado com a vítima, principalmente quando o crime ocorre dentro do núcleo familiar. ''Todos partimos do princípio que conhecemos bem nossos parentes e acreditamos sempre no lado bom do ser humano. Fomos educados pelos nossos pais, pela cultura e pela religião a termos esse sentimento, por isso somos impedidos de ver alguém da nossa família como suspeito'', argumenta.
Já sobre o perfil do criminoso, a professora revela que pedófilos procuram, em geral, crianças de pouca idade, até a puberdade (mais ou menos até 11 anos) e a escolha do sexo tem a ver com o desejo ou a fantasia do agressor, que quase sempre são homens na faixa etária dos 30 a 40 anos. Quase não possuem amigos, quando casados possuem uma relação mais amistosa com a esposa e se mostram muito afetuosos com crianças.
Quando questionada sobre a possibilidade da vítima de hoje se tornar o criminoso no futuro, a psicóloga reafirma a importância do tratamento para que o agredido não venha a desenvolver um perfil conturbado. ''Tudo depende da estrutura de personalidade da criança e da forma como vai enfrentar o que aconteceu. A criança poderá apresentar outros transtornos desde que não tenha havido tratamento adequado. O tipo de transtorno dependerá da sua personalidade'', enfatiza. (V.F.)

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