Carlópolis - A conquista da Indicação Geográfica (IG) de procedência para as goiabas de Carlópolis e Ribeirão Claro vem avalizar a certificação Globalgap e abrir as portas para a fruta no mercado internacional. A Globalgap é um conjunto de normas elaboradas pela rede de supermercados da Europa. Todas as frutas exportadas pelo Brasil precisam obrigatoriamente desta certificação.
O Sebrae, Emater e a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) vêm trabalhando com a Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis (APC) há 18 meses na capacitação dos produtores rurais para obtenção da Globalgap. A intenção é iniciar o processo de exportação de goiaba por frete aéreo em 2017.
Apesar do Brasil ser o maior produtor mundial de goiaba vermelha, não há grupo de produtores ou empresas certificadas, o que torna inexpressiva a exportação in natura da fruta.
Com o câmbio favorável, a exportação de frutas brasileiras cresceu 11% nos últimos anos. Os carros-chefes são melão, manga, limão e mamão. "A goiaba é um trabalho pioneiro e que está com avanço positivo", diz Aloísio Costa Sampaio, professor adjunto do Departamento de Ciência Biológicas da Unesp/Bauru e consultor do projeto.
Segundo ele, Carlópolis tem as duas principais práticas obrigatórias para conseguir a certificação: a poda total por parcela e o ensacamento manual. O ensacamento previne a incidência da mosca da fruta e gorgulho que são duas pragas importantes.
"Essa prática cultural do ensacamento previne essas duas pragas e, consequentemente, reduz outro sério gargalo que é o resíduo de agrotóxicos nos frutos. A maior dificuldade hoje é a segurança alimentar. O consumidor quer uma fruta com qualidade, sabor e sem resíduos", afirma o professor.
O nível de resíduos de agrotóxicos é verificado pelos países europeus, e os carregamentos acima de limite permitido são devolvidos. "A responsabilidade é muito grande. A certificação é em grupo", explica.
O processo de certificação deve iniciar em julho, com um grupo menor de produtores. Ainda não está definido quantos participarão. "Vamos começar com os produtores que já estiveram mais preparados. Isso não impede que daqui seis meses ou um ano os demais integrem", afirma Sampaio.
Como dever de casa, os agricultores vêm registrando no "caderno de campo" todas as boas práticas agrícolas, que envolvem as questões ambiental, social e de sustentabilidade da produção. Todos tem que estar com cadastro ambiental rural em dia, respeitar a reserva legal, recomposição da mata ciliar, devolução da embalagem vazia de defensivo. "Não é nada complexo, mas é algo que necessita de planejamento."
Além da goiaba, também estão em análise o potencial comercial da lichia, segundo fruta de importância do Norte Pioneiro, e do abacate, principalmente, a variedade Hass, que é a mais exportada e consumida no mundo. (A.M.P)

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