Das carroças ao primeiro ônibus
Quando o fazendeiro e ''safrista'' (criador e comerciante de porcos) Emídio Couto de Camargo imaginou a cidade de Santa Bárbara, em 1946, ainda eram raríssimos os automotores trafegando no trecho da Estrada do Cerne e comum os carroções e os viajantes a cavalo. Conforme a narrativa em Histórias e Mistérios do Sertão do Tibagi, o panorama que daria lugar à futura cidade se compunha da venda de José Kuniski à beira da estrada e o Riacho do Sabiá ao fundo. Por isso, o lugar também era conhecido simplesmente por Sabiá.
Emídio recomprou, de Kuniski, a área de 50 alqueires, ''cortada'' ao meio pela Estrada do Cerne, e expôs à ideia ao agrimensor Edson Palhano, então morando em Jataí desde 1927. ''Edson tinha o hábito de fumar cachimbo, que não tirava da boca enquanto trabalhava'' e seria lembrado, também, pelo ''constante mau-humor''.
Fazer da Água do Sabiá uma cidade parecia incrível, mas estava decidido e, em 1947, Palhano entregou a planta, com as quadras assinaladas de ''A a Z'', distribuídas nos dois lados da Estrada, uma reservada à igreja com a praça em frente, que inspirou Emídio a denominar Santa Bárbara o empreendimento, concluindo que Água do Sabiá ou Sabiá não poderia ser.
Ao contrário do que se via no Norte Novo, onde as cidades nasciam em consequência de novos loteamentos rurais, Santa Bárbara ia tornar-se atrativo urbano para fazendeiros e famílias de outras cidades. ''Não demorou muito, surgiram alguns interessados.'' Waldomiro Mello, de São Jerônimo, comprou um lote na avenida e abriu uma venda; o genro, Walter Guimarães da Costa, o acompanhou e em Santa Bárbara nasceria o filho José Joaquim, apelidado Juca.
Em 1947, Virgílio Spuri e Yhosimatso Hase estabeleceram a linha de ônibus entre Londrina e São Jerônimo da Serra (então Araiporanga), naturalmente passando por Santa Bárbara. Origem da Viação Ouro Branco, referência à produção de algodão que seria notável na região. Santa Bárbara e outras comunidades a longo da Estrada do Cerne se desenvolveram nos anos 50 e 60, quando se intensificou o transporte de café rumo ao Porto de Paranaguá e ainda perdurou o ciclo algodoeiro.
A partir de 1964, o tráfego foi desviado para a Rodovia do Café (asfaltada), e a Estrada do Cerne (de leito natural) abandonada, contribuindo para a estagnação das comunidades. Na década de 70, a reconstrução e pavimentação do trecho Jataí-Assaí-São Jerônimo da Serra tirou a rodovia de dentro das cidades e Santa Bárbara consolidou a urbanização. (W.S.)





