Curitiba – O presidente do Conselho Regional de Odontologia do Paraná (CRO-PR), Roberto Cavali, se posiciona veementemente contra a abertura do curso em Jacarezinho. Segundo ele, o Estado tem 16,7 mil profissionais e um mercado extremamente saturado. Cavali afirma que a abertura do 18º curso de Odontologia no Paraná, o quinto em uma universidade estadual, vai servir apenas para criar futuros desempregados. "Temos centenas de jovens por mês cancelando as matrículas. Não há mercado, a não ser para aqueles que se sujeitam a condições degradantes nas pequenas cidades do País", condena.
Cavali acredita que os governos deveriam se preocupar em dar melhores condições de trabalho e remuneração justa aos profissionais já formados em vez de criarem novos cursos. "É claramente um ato político que só vai levar mais decepção à região. O desenvolvimento socioeconômico não pode estar calcado em um curso com mercado tão limitado", opina. Ele deixou claro que é contra qualquer abertura de novos cursos no Estado, não apenas o de Jacarezinho.
Segundo ele, mesmo que o curso mantenha uma boa qualidade e forme profissionais preparados, dificilmente o Norte Pioneiro irá absorver esta demanda. "Com os salários oferecidos na rede pública do interior, é certo que eles vão procurar emprego nos grandes centros", presume. A média de salário no interior do Paraná é de R$ 1,4 mil por quatro horas por dia. "Não queremos altos salários, mas o oferecido é incompatível com a alta complexidade exigida pela Odontologia", protesta.
O presidente lembra ainda que, no início do ano, o CRO-PR ingressou ação judicial na Justiça Federal contra a Prefeitura e a Câmara de Vereadores de São João do Ivaí (Vale do Ivaí) por autorizarem a realização de concurso público para cirurgião-dentista com vencimentos de R$ 678,00 para jornada de quatro horas por dia. "É um valor ofensivo às garantias sociais e fundamentais, reconhecidas pela Lei Fundamental e ainda, desestimula a eficiência na prestação dos serviços públicos".
A valorização dos profissionais da saúde em âmbito federal é a única solução apontada por Cavali para que a profissão volte a ser atrativa e se justifique a criação de novos cursos. "Hoje o que temos são prefeituras que fazem ‘leilão ao contrário’, quem se sujeita ao menor preço fica com a vaga. Não pode ser assim", adverte. (C.F.)

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