Cultura cara, sensível, mas acessível
A produção de morango no Norte Pioneiro tem um importante peso social. ''O cultivo de morango exige muita mão de obra, então os produtores acabam fazendo parceria com famílias que trabalham na lavoura e recebem 25% da venda (são conhecidos como porcenteiro)'', comentou o engenheiro agrônomo da Emater, Edson Ronque.
Mesmo com 60 anos, Jamil Matias Ferreira continua trabalhando como porcenteiro. Ele cuida, acompanhado de sua esposa, de 11 mil pés de morango. ''Há dois anos a gente chegou a plantar por nossa própria conta, 10 mil pés, mas não vingou. Só tivemos trabalho e prejuízo'', diz ele, que garante há 14 anos seu sustento graças ao morango.
Segundo o agrônomo, a fruta é uma das culturas mais caras e sensíveis para se cultivar. Essa é uma das causas para que a maioria das plantações de morango não chegue a ocupar um hectare. ''O custo é elevadíssimo, por ano chega a casa de R$ 100 mil por hectare. Exige muita mão de obra e insumo. A colheita aqui é de seis dias por semana. Só não se trabalha no sábado, porque domingo a Ceasa (Central de Abastecimento) não está aberta''.
Apesar do alto custo, Ronque afirma que o morango consegue ser plantado por famílias sem elevadas fontes de renda devido ao rápido retorno. ''Ele é plantado em março e dentro de 80 a 90 dias já se inicia a colheita. É necessário um investimento inicial, mas pode ser pago em seguida, se tudo der certo, pois é uma cultura sensível. Em menos três meses o produtor já está vendendo, e o preço está bom''.
Há sete anos Jorge Nicolau garante o seu sustento como porcenteiro. Ele tem formação de professor de ensino básico mas escolheu viver da lavoura. Em 2012 Nicolau espera plantar o seu próprio morango. ''Estou conversando com um parente advogado que vai me dar uma força'', disse.
Como a maioria dos porcenteiros ou pequenos produtores não possuem camionete, ou outro meio de transporte, eles acabam vendendo seus morangos para atravessadores, os quais compram normalmente por 4 reais a caixa e revendem por até 5 reais. ''Na fruticultura a figura do atravessador é até necessária, mas se houvesse uma diminuição nessa diferença de preços o pequeno produtor seria muito mais beneficiado. Porque por exemplo se um atravessador compra e revende mil caixas, já são mil reais tirados daquela família'', comentou Ronque.
De acordo com o agrônomo existem quatro floradas, colheitas, no morango. ''A primeira em maio, que produz os melhores frutos. Mas é na segunda florada que tem o pico da produção. É nessa época, entre julho e agosto, que os produtores e porcenteiros acabam correndo atrás de mão de obra extra'', comentou. Segundo Ronque, num ano bom a colheita do morango se estende até janeiro, ''mas normalmente se encerra em novembro''. A maior parte do morango produzido no Norte Pioneiro é destinado a Londrina. (D.B.)





