Cubanos garantem a saúde em Jacarezinho
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terça-feira, 02 de junho de 2015
Rafael Fantin <br>Reportagem local 
Jacarezinho - Dois casais de médicos cubanos chegaram em abril do ano passado em Jacarezinho, por meio do programa federal Mais Médicos e, um ano depois, são responsáveis pela maioria dos atendimentos na rede básica do município do Norte Pioneiro. Desde A cidade sofre com a falta de profissionais na área após a determinação do Ministério Público Federal (MPT), expedida em outubro de 2014, para cumprimento das cargas horárias e instalação de pontos eletrônicos nas unidades básicas de saúde (UBS).
Formada em 2006 em Cuba, a médica Yudisleydis Corrales passou a integrar o quadro de profissionais do programa Mais Médicos após atender por três anos na Venezuela, ao lado do marido David Velazquez Cordovi, que também faz parte da equipe do programa federal.
No Norte Pioneiro, ela lembra que nos primeiros meses de trabalho, muitos pacientes reclamavam que as consultas eram muito demoradas. Mas os pacientes se acostumaram com o estilo da médica no decorrer do tempo. "Essa é uma característica do médico cubano. Temos que escutar com calma o paciente, sem pressa. Em seguida, examinamos a pessoa e ainda é necessário explicar duas ou três vezes o tratamento. Não é só a receita com os medicamentos, em alguns casos, é preciso aconselhar o paciente a mudar o estilo de vida para melhorar a saúde", comenta Yudisleydis, que atende no posto de saúde do distrito rural de Marquês dos Reis.
A dona de casa Rosângela Pinheiro recorda que tinha dificuldades de encontrar médicos no posto antes da chegada da profissional cubana. Além disso, ela comentou que a saúde melhorou após o início do acompanhamento médico. "A doutora Yudisleydis descobriu que eu tenho diabetes e eu nem sabia. Comecei o tratamento e estou muito melhor", diz.
Já o médico David Cordovi, que atende na UBS do Aeroporto, afirma que não teve problemas de adaptação no Paraná. "Já estamos acostumados com o clima e com a língua e as doenças tratadas são bem parecidas com outros locais da América Latina", comenta. A equipe de médicos cubanos ainda é formada pelo casal Victor Manuel Cordova Tamame e Dayana Salgado Arevich.
Já a paciente Alessandra Andrade de Souza criticou o atendimento em outros hospitais de Jacarezinho e afirmou que os postos de saúde estão mais preparados para receber a população. "Em outros locais da cidade, leva mais de cinco horas para ser atendido. Quando venho aqui no postinho, em uma hora já sou atendida e o médico cubano é nota dez", opina.
Segundo o secretário de Saúde, Geraldo Romão, as determinações do MPF provocaram os pedidos de demissão dos médicos que atendiam em outros locais além dos postos de saúde durante o expediente. Atualmente, o município de 40 mil habitantes tem apenas três médicos no Programa Saúde da Família (PSF), que além das unidades também realizam visitas e atendimentos domiciliares.
"A situação só não é mais complicada devido aos médicos cubanos que estão no município desde abril do ano passado no município, pelo programa federal Mais Médicos", admite. Romão calcula que hoje mais de 60% dos atendimentos da rede básica são realizados pelos médicos cubanos nos postos de saúde e nas residências. De acordo com secretário, a falta de médicos nas UBS também sobrecarrega o pronto-socorro da Santa Casa de Jacarezinho. "Sem profissionais nos postos de saúde, a população acaba procurando atendimento nos hospitais", justifica.
O prefeito de Jacarezinho, Sérgio Eduardo Emygdio de Faria (DEM), lembra que, com a chegada dos médicos cubanos, o planejamento inicial era ampliar para 12 ou 13 o número de equipes de saúde, o que não ocorreu por causa da onda de demissões. "Realmente é um exemplo de atendimento. Eles ficam nos postos de saúde, fazem a visitação domiciliar dos pacientes, cumprem o horário com rigor e ainda estudam para sedimentar o conhecimento na área de atenção básica", elogia o prefeito.
Os médicos cubanos atendem seis horas por dia e ainda estudam para formação na rede básica de atendimento. De acordo com o Ministério da Saúde, os profissionais participantes passam por aperfeiçoamento por meio da integração ensino-serviço. O programa tem duração de três anos, prorrogável por igual período. A bolsa-formação tem valor mensal líquido de R$ 10 mil.
Atualmente, o Paraná possui 1.032 médicos que atendem em 315 municípios. Em maio, o Ministério da Saúde informou que 170 novas vagas do programa federal foram preenchidas no Paraná.


