Cronologia de uma conquista frustrada
Personagem principal na história recente do patrimônio ferroviário regional, João Mendes de Oliveira, também conhecido por "João Caubói", não viveu para sentir-se frustrado com o incêndio em Joaquim Távora. Nascido na estação do Serradinho, em Tomazina, os pais funcionários da ferrovia, ele morreu em 2009, aos 59 anos, por causa de um câncer.
"Tudo o que se tem feito em defesa da ferrovia, de alguma forma tem relação com ele." Eis a síntese de João escrita por Anides Rossoni Mikiewski em sua tese de conclusão do curso de História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Jacarezinho.
Simultaneamente à privatização do ramal Marques dos Reis-Jaguariaíva, em 1996, João Mendes fundou a Associação de Preservação Ferroviária de Jacarezinho (APFJ) e buscou apoio nas cidades. Primeiro resultado: o Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico tomba quatro estações (Marques dos Reis, Jacarezinho, Platina e Joaquim Távora) em 2001.
Denunciando o furto de materiais e a depredação de imóveis da ferrovia, chegando a ocupar a estação de Jacarezinho com o fim de protegê-la, a APFJ motiva o Ministério Público Federal (MPF) a iniciar, em 2006, a ação exigindo a restauração do patrimônio. Julgada em 2007, a sentença determina que a ALL satisfaça a exigência. Desde 2011 vigora o termo de ajuste de conduta pelo qual a ALL se compromete a restaurar as estações (incluídas as de Andirá e Bandeirantes, em outra ferrovia), submetendo os projetos à curadoria estadual e ao Iphan. Nenhuma obra foi iniciada, ante a necessidade de correções em projetos e de se aguardar que famílias em algumas estações recebam casas de programas sociais, segundo o Ministério Público.
Um sonho maior
E João deixou um projeto maior, baseado no trecho de 77 quilômetros entre Marques dos Reis e Joaquim Távora. Denomina-se "Maria Fumaça". Das estações, os turistas fariam o transbordo do trem para automotores e chegariam a panoramas incomuns de vales, fazendas históricas na antiga rota do café, represas, rios e pousadas. Bacharel em turismo, graduado em curso regular reconhecido, João previa a consolidação de um polo turístico em 10 anos, tendo formalizado em 2007 a solicitação de duas locomotivas e de 12 vagões à Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário. Criar-se-ia uma empresa para gerenciar, segundo normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres. (W.S.)





