Crise do café afeta a região
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quarta-feira, 16 de maio de 2001
Benedito Teles De Santo Antônio da Platina 
De acordo com estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), o Norte Pioneiro é a principal região produtora de café do Estado e será responsável pela colheita de 40% da produção cafeeira paranaense. Nas próximas semanas inicia-se a colheita de café. Apesar das projeções positivas, os cafeicultores alertam que o setor está em crise e que a demanda por mão-de-obra na safra deve ser reduzida em quase 70%.
A estimativa é de que sejam colhidos entre 11 e 12 mil toneladas. A produtividade deve oscilar entre 695 a 770 quilos por hectare. O total de área plantada na região é de 15.768 hectares. Os principais municípios na produção de café no Norte Pioneiro são Ribeirão do Pinhal, Jacarezinho, Carlópolis e Ibaiti.
Os produtores acreditam que a ocorrência de geadas e a estiagem que se prolongou durante o ano passado provoquem prejuízos na qualidade dos grãos produzidos. A Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) informou que a estiagem deve prejudicar a qualidade da produção por causa da dilatação no prazo de colheita. Segundo o órgão, a seca compromete o desenvolvimento da lavoura. O Deral estima que cerca de 20% do total da área plantada será colhida com atraso.
Para o presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores (Apac), Ricardo Gonçalves Strenger, a cafeicultura do Paraná está em crise. Segundo ele, apesar da safra paranaense corresponder a quase 50% da produção estadual, os cafeicultores estão em dificuldades.
Strenger acredita que os fatores climáticos negativos do ano anterior, como a estiagem e a ocorrência de geadas e o bloqueio da safra/2000 para garantia das dívidas descapitalizaram o cafeicultor e acarretaram uma queda nos preços do produto. Ele explica que o Conselho Nacional de Café (CNF) pleiteia a adequação do pagamento das dívidas ao novo cenário econômico. A retenção do café para assegurar os débitos pode causar um acúmulo de dívidas no final deste ano que pode prejudicar, ainda mais, os cafeicultores, afirmou.
O presidente da Apac garante que o reflexo imediato da crise será a redução de 60% a 70% da safra em relação ao ano passado. Strenger também alerta que o desemprego no setor agrícola será proporcional à diminuição do volume de café produzido na região.
Em Cornélio Procópio, o Deral projetou uma queda de 80% na colheita da safra 2000/2001 de café na região em relação ao ano passado. De acordo com a Emater/PR, cerca de oito mil pessoas não terão empregos no período de colheita, que dura em média 90 dias. Os técnicos estimam que quase R$ 28 milhões, em renda bruta, deverão deixar de circular nos 23 municípios que integram a região.


