De acordo com estimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), o Norte Pioneiro é a principal região produtora de café do Estado e será responsável pela colheita de 40% da produção cafeeira paranaense. Nas próximas semanas inicia-se a colheita de café. Apesar das projeções positivas, os cafeicultores alertam que o setor está em crise e que a demanda por mão-de-obra na safra deve ser reduzida em quase 70%.
A estimativa é de que sejam colhidos entre 11 e 12 mil toneladas. A produtividade deve oscilar entre 695 a 770 quilos por hectare. O total de área plantada na região é de 15.768 hectares. Os principais municípios na produção de café no Norte Pioneiro são Ribeirão do Pinhal, Jacarezinho, Carlópolis e Ibaiti.
Os produtores acreditam que a ocorrência de geadas e a estiagem que se prolongou durante o ano passado provoquem prejuízos na qualidade dos grãos produzidos. A Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) informou que a estiagem deve prejudicar a qualidade da produção por causa da dilatação no prazo de colheita. Segundo o órgão, a seca compromete o desenvolvimento da lavoura. O Deral estima que cerca de 20% do total da área plantada será colhida com atraso.
Para o presidente da Associação Paranaense dos Cafeicultores (Apac), Ricardo Gonçalves Strenger, a cafeicultura do Paraná está em crise. Segundo ele, apesar da safra paranaense corresponder a quase 50% da produção estadual, os cafeicultores estão em dificuldades.
Strenger acredita que os fatores climáticos negativos do ano anterior, como a estiagem e a ocorrência de geadas e o bloqueio da safra/2000 para garantia das dívidas descapitalizaram o cafeicultor e acarretaram uma queda nos preços do produto. Ele explica que o Conselho Nacional de Café (CNF) pleiteia a adequação do pagamento das dívidas ao novo cenário econômico. ‘‘A retenção do café para assegurar os débitos pode causar um acúmulo de dívidas no final deste ano que pode prejudicar, ainda mais, os cafeicultores’’, afirmou.
O presidente da Apac garante que o reflexo imediato da crise será a redução de 60% a 70% da safra em relação ao ano passado. Strenger também alerta que o desemprego no setor agrícola será proporcional à diminuição do volume de café produzido na região.
Em Cornélio Procópio, o Deral projetou uma queda de 80% na colheita da safra 2000/2001 de café na região em relação ao ano passado. De acordo com a Emater/PR, cerca de oito mil pessoas não terão empregos no período de colheita, que dura em média 90 dias. Os técnicos estimam que quase R$ 28 milhões, em renda bruta, deverão deixar de circular nos 23 municípios que integram a região.

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