Nos 340,77 quilômetros da Empresa Concessionária de Rodovias do Norte S. A. (Econorte) 13,9 milhões de veículos pagaram pedágio em 2010. Por outro lado, não se sabe precisamente quantos foram desviados das praças de cobrança, mas estima-se que nos 30 quilômetros entre Andirá (PR) e Palmital (SP) a ''fuga'' seja de 600 caminhões, pelo menos, e até mil em determinados dias da semana. Com isso, o tráfego durante o ano ficaria próximo de 500 mil veículos pesados e leves.
Para quem parte da BR-369 no perímetro urbano de Andirá, são quatro quilômetros pela PR-517 até a PR-092 e por esta, 10 até o rio Paranapanema, onde está a hidrelétrica Canoas-II. No outro lado da ponte, a SP-375 tem 15 quilômetros e atinge o trecho duplicado da Raposo Tavares, próximo a Palmital. Um dos usuários constantes é o caminhoneiro Fernando Ferreira dos Santos, que ia demorar 30 horas em 1.300 quilômetros de Chapadão do Sul (MS) a Paranaguá, com uma carga de algodão. ''O pedágio é alto e o frete é baixo. Temos de caçar os desvios'', resumiu.
A Econorte administra trechos da BR-369, BR-153, PR-090, PR-323 e PR-445, que fecham um perímetro aproximado de 7,7 mil quilômetros quadrados (4% do Estado). Conforme balanço da empresa, o tráfego cresceu 12,3% em 2010 relativamente ao ano anterior. E passaram pelas suas praças de pedágio nove milhões de veículos pesados e 4,9 milhões de veículos leves em 2010.
Quanto à alternativa Palmital-Andirá, que evita o pedágio em Jacarezinho (divisa com Ourinhos) - um dos mais caros -, a Polícia Rodoviária do Paraná não tem dados que permitam certificar o número de veículos. ''Mas são muitos. Bastante'', resume o cabo Sidney Rias. E o volume aumentou depois que a ponte no Paranapanema entre Cambará (PR) e Salto Grande (SP) foi interditada para veículos pesados, há cerca de quatro anos, observa-se.
Era uma outra alternativa, ainda mais com a pavimentação dos 15 quilômetros no município de Cambará, no terceiro mandato (2001-2004) do prefeito Mohamed Ali Hamzé, que a denominou ''Rodovia da Liberdade''. Houve, porém, um ''efeito colateral'' do uso intenso: a instituição de pedágio pelo município de Salto Grande, em 2004, para custear a restauração do pavimento urbano danificado pelos caminhões, e a seguir o estrago na ponte, inviabilizando-a para o tráfego pesado.
''Muitos dos que deixaram de ir por lá (Cambará-Salto Grande), agora passam por aqui'', conclui cabo Rias. Observa-se que o tráfego entre Andirá e Palmital é mais intenso de terça a sexta-feira, notando-se um número maior de carretas procedentes de Mato Grosso e Goiás. Além dos veículos que transitam entre as cidades paranaenses e paulistas, integradas por fatores econômicos em comum.
Funcionários da fiscalização paranaense do trânsito de animais, produtos de origem animal e vegetais informam que não há contagem efetiva, mas em se tomando por amostragem o número de veículos que param no posto fiscal, a hipótese de até mil caminhões/dia ou menos um pouco, parece admissível.
No distrito de Nossa Senhora Aparecida (Andirá), onde a pista passa por dentro e está afundada, tanto tráfego é o tema dominante no dia a dia. Numa conversa em grupo, um morador afirma que, a cada 24 horas, passam ''mais de mil carretas'', pois há tráfego também à noite. E o pedágio, tão-combatido, causa admiração, fazendo supor muito dinheiro. ''Ah! Se tivéssemos um pedágio aqui, hein?'', retruca outro participante da conversa.
A receita operacional líquida da Econorte em 2010 foi de R$ 133,6 milhões; deduzidos custos, investimentos, encargos etc., ficou o lucro líquido de R$ 16,6 milhões. De quebra, a concessionária pagou impostos, taxas e contribuições federais no total de R$ 20,2 milhões e de R$ 5,9 milhões municipais.

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