A permanência de 83% dos inscritos consolida o assentamento e atesta a eficiência dos programas governamentais de crédito, a julgar-se pelas opiniões de técnicos envolvidos. Para a compra da terra, os assentados tiveram Crédito Fundiário de até R$ 40 mil, com prazo de 17 anos para o ressarcimento; já o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) concedeu R$ 18.500, destinados a manutenção, com prazo de 10 anos. E quem paga em dia o Pronaf, tem desconto de 40% sobre uma parcela anual que, com juros, não chega a R$ 2.100.
São lotes que variam de tamanhos, uns com menos de três hectares (1 ha = 10 mil metros quadrados), outros até 3,5 hectares, mas que os assentados convertem para alqueire (24,2 mil metros quadrados): ''cinco quartas'', ''1 alqueire e uma quarta'', ''1 alqueire e meio'' etc. Indicado para a maioria dos lotes, o café ocupa também aqueles impróprios, resultando em baixa produtividade e tomando espaços que deveriam ser reservados à pecuária leiteira e à fruticultura, ainda pouco significativas. Isso prejudica a renda familiar, motivo de reclamação.
Leonina Ribeiro Nascimento de Oliveira, detentora de 1 alqueire e meio juntamente com o marido, Sidney de Oliveira, diz que ''a terra é fraca e tem muita formiga-quemquém, aquela vermelhinha''. O fundo de vale divide o assentamento entre dois tipos de solo, um claro e pouco consistente e outro vermelho, nos quais se distinguem cafezais diferentes. ''Não podem cobrar o mesmo preço [pela terra] que cobram dos que estão colhendo muito café'', aponta Leonina para o vermelho, que não e o seu. Com uma filha adolescente e um garotinho de quatro anos, a família construiu casa de alvenaria no lote, mas o marido continua trabalhando na cidade, ''daqui ainda não sai dinheiro suficiente'', afirma a mulher.
Só planta café em solo impróprio os que decidem não se enquadrar no zoneamento, desviando-se da orientação técnica. ''Outra coisa é a liberdade deles, não temos o poder de obrigá-los'', pondera Artur Bohrz, da Emater, que menciona uma programação de pelo menos dez cursos, recentemente, para melhorar o conhecimento e o desempenho dos assentados, que passarão a ter assistência técnica da Emater.
Segundo Bohrn, os que seguem a orientação e investem corretamente, não se arrependem e há ''gente dando pulo de contentamento''. Caso de Aparecido Benes do Nascimento, que plantou só café, 9.700 pés, no lote de 28 mil metros quadrados (1 alqueire e uma quarta, aproximadamente três hectares), construiu a casa e tem água de poço. ''Tive mais um recursinho, com a ajuda do meu pai, sempre trabalhei com ele na agricultura'', conta Aparecido. (W.S.)

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