Creche facilita trabalho de mães
Não ter onde deixar os filhos menores para que se possa trabalhar é um dos maiores problemas enfrentados pelas mulheres, especialmente para as trabalhadoras volantes rurais, ou bóias-frias, como são conhecidas. A incerteza e insegurança tomam conta do coração de mãe, quando por motivos maiores, geralmente financeiros, é preciso deixar os filhos menores em casa, trancados, para que se possa garantir um dinheirinho extra no final do mês e até mesmo, garantir a sobrevivência das crianças.
É uma alternativa muito arriscada e perigosa. Afinal, a maioria dos acidentes graves, como incêndios, explosões e até mortes, acontece nesses períodos de trabalho. São tragédias que poderiam ser evitadas.
Uma alternativa encontrada em Santo Antônio da Platina, para mulheres que trabalham na lavoura e também como domésticas, é deixar seus filhos em instituições. A Creche São Gabriel, mantida pela prefeitura, possui um horário diferenciado das demais, justamente para atender essas crianças, filhos de bóias-frias. A creche começa a funcionar às 5h30, horário em que os trabalhadores volantes estão saindo para mais um dia de trabalho.
Segundo a professora Olinda de Oliveira Lopes, em dias normais, ou seja, dias ensolarados, a creche atende cerca de 110 crianças de zero a 6 anos, que recebem alimentação, orientação escolar, diversão, lazer e atividades extras, especialmente em datas comemorativas. Aproximadamente 70% das crianças atendidas na creche são filhos de bóias-frias. O fato de a creche abrir mais cedo que as outras está facilitando a vida das mães e das crianças, disse. A creche São Gabriel recebe apoio do Colégio Casucha, que em datas festivas promove atividades com as crianças.
Para Roseli Ribeiro Lúcio, 32 anos, que trabalha no corte de cana, a facilidade que esse horário de atendimento trouxe para as mães é muito grande. Ela tem três filhos. Dois deles frequentam a creche: Crislaine, cinco anos e Presley, dois. A filha mais velha, de sete anos, vai para escola e depois para o Centro Educacional Lar Jesus Adolescente. Se a creche não começasse a funcionar bem cedo, eu teria que pagar uma pessoa para trazer as crianças. É o que faço nos finais de semana, quando tenho que trabalhar, disse.
A creche antes funcionava das 5h30 às 19 horas, um horário considerado ideal pelas mães. A professora Olinda disse que o horário mudou, diminuindo em duas horas devido à falta de funcionários. Agora, a creche está funcionando até as 17 horas.
Sabendo que as crianças estão na creche, Roseli consegue trabalhar sossegada. Não tenho preocupação nenhuma. Meu trabalho até melhora. E o mais importante é que as crianças gostam muito de ficar na creche.
Roseli acorda diariamente por volta das 4h, faz o almoço que ela e o marido levam para a roça, acorda as crianças, troca e as leva para a creche quando partem para mais um dia duro de trabalho. Quando volta, passa na creche para pegar as crianças e levá-las para casa. Sinto muita saudade dos meus fihos, mas eu tenho que trabalhar, graças a Deus podemos ficar tranquilos.





