Cortadores de cana migram para outros setores
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terça-feira, 26 de agosto de 2014
Eli Araujo<br>Reportagem Local 
Cambará - A mecanização das lavouras de cana-de-açúcar está forçando a migração dos trabalhadores rurais para outras atividades, como a construção civil e o setor industrial, mas não chega a provocar desemprego na região.
O presidente do Sindicato do Trabalhadores Rurais de Cambará, Otávio Augusto do Nascimento, estima que a mecanização tenha chegado a quase 60% das lavouras no município, mas destaca que ainda há muita gente trabalhando com a cultura, especialmente no replantio da cana e capina nas propriedades. Segundo ele, nem a desativação da Casquel, uma usina local, gerou desemprego no município porque os trabalhadores foram absorvidos em outros setores.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itambaracá, Ademir Ferreira, estima que a mecanização chegou a 90% das lavouras do município, obrigando os trabalhadores a procurar outras alternativas. Hoje, segundo ele, a maioria que deixou o corte de cana está trabalhando em indústrias que ficam em outras cidades, algumas a mais de 100 quilômetro de distância.
Ferreira preferia que os trabalhadores permanecessem no corte de cana, mesmo reconhecendo que a queima causa problemas à saúde e ao meio ambiente. "A cana queimada pode causar problemas para a saúde, mas ela emprega, enquanto apenas uma colheitadeira tira o emprego de quase 100 pessoas", afirma.
Os presidentes dos sindicatos de trabalhadores rurais reclamam da falta de um programa de requalificação da mão de obra para aproveitar melhor este pessoal em outras atividades. Essa qualificação, segundo eles, chegou a ser cogitada, mas não aconteceu na prática.
A estimativa dos sindicatos de trabalhadores rurais da região é que o setor tenha ocupado cerca de 15 mil cortadores de cana antes do processo de mecanização ser iniciado no Norte Pioneiro, sem contar os operários que trabalham diretamente nas usinas, que são filiados a outro sindicato.
FALTA MÃO DE OBRA
O presidente da Associação dos Fornecedores e Plantadores de Cana Paranapanema (Canapar), Paulo Buso, observa que hoje falta mão de obra para trabalhar no corte de cana em áreas ainda não mecanizadas, forçando usinas a "importar" trabalhadores de outras regiões para realizar este serviço. "O processo de mecanização não está, de forma nenhuma, gerando desemprego no campo", afirma. Buso diz que os trabalhadores que deixam o corte de cana estão indo para outras atividades, inclusive com parte sendo aproveitada nas próprias usinas.
O presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop), Celso Silva (PDT), prefeito de Bandeirantes, avalia que o desemprego pode afetar principalmente os trabalhadores nas pequenas cidades, mas garante que em seu município a mão de obra está sendo requalificada. No ano passado, foram realizados 38 cursos de qualificação pelo Sine e Secretaria de Ação Social. O prefeito lembra ainda que a construção civil absorveu parte da mão de obra oriunda do corte de cana.
O presidente da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi), Edimar de Freitas Alboneti (PP), prefeito de Barra do Jacaré, também diz o município não enfrenta problemas de desemprego provocados pela mecanização da colheita da cana, apesar de desconhecer o quadro dos municípios da região. Segundo ele, as queimadas na cana causam apenas o inconveniente da sujeira. "O único constrangimento para a população é aquele cisco preto que lambuza toda a cidade", afirma. (E.A.)



