Cooperativa recicla 45% do lixo em Abatiá
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terça-feira, 26 de julho de 2011
Vinícius Fonseca <br> Reportagem Local 
Abatiá - Uma cooperativa que comemora dois anos de existência este mês tem mudado a vida de seus associados e contribuido para a destinação correta do lixo de Abatiá. É a Associação de Catadores de Reciclável (ACR), que cuida de 45% de toda a coleta seletiva produzida pelos 7,7 mil habitantes. O volume, proporcionalmente, é considerado o maior em todo o Paraná. Além do benefício para o meio ambiente, os 13 funcionários da entidade garantem uma renda mensal de aproximadamente R$ 600.
A ideia, segundo o presidente da ACR, Juraci Batista Brito, partiu dele, de sua esposa e de um amigo. ''Começamos sozinhos e depois de alguns meses pedimos apoio à prefeitura que nos cedeu uma prensa, um trator e um barracão'', lembra.
Brito, mais conhecido na cidade pelo apelido de ''Doido'', afirma que não demorou para aparecer pessoas interessadas em tornar-se um cooperado. Visando criar oportunidades de emprego ele se utilizava de um método diferente. ''Se no mês ganhávamos R$ 600 por pessoa eu baixava o salário para R$ 500 e com o valor retido colocava mais um para trabalhar'', explica. O método sofreu resistência de alguns dos cooperados, que abandonaram o trabalho por não acreditarem na viabilidade do projeto.
Com a cooperativa já estabelecida, hoje são distribuídas sacolas para que os moradores utilizem na separação do lixo - em média 10 por residência.
Ao longo dos dois anos não faltam histórias curiosas envolvendo objetos encontrados durante a separação do lixo. Brito comenta que só no mês passado foram achados mais de 15 relógios. Documentos também não fogem à regra e sempre que possível são devolvidos. ''Encontramos até cadeiras de roda que reformamos e depois doamos para instituições, só neste ano já foram quatro'', revela o presidente da cooperativa.
Se atualmente o trabalho da ACR já recicla boa parte do material da cidade, para os próximos meses a meta é ampliar ainda mais o serviço. A associação aguarda a chegada de uma esteira giratória, que deve facilitar o trabalho. Mas ele admite que muitos moradores ainda não separam os resíduos corretamente. A expectativa é chegar a 90% do reciclável e aumentar o quadro de funcionários da cooperativa para 25.
Técnico agropecuário e um dos idealizadores do projeto Leonardo Carlos Martins Junior comemora os resultados alcançados pela ACR. ''As máquinas e o barracão que a prefeitura passou para a associação estavam sem uso. Praticamente não tivemos gastos e hoje criamos uma fonte de renda para várias famílias'', vibra.
Membro da secretaria de Agricultura e Meio Ambiente Junior afirma que a reciclagem, como é feita, aumenta a vida útil do aterro sanitário do município, reduzindo o volume depositado.


