Cornélio Procópio - A decisão dos prefeitos da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop) e da Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) de adotar medidas de contenção de gastos vem causando polêmica na região. Desde o dia 1 de novembro, a maioria dos serviços urbanos vem sendo realizada de maneira lenta e muitas vezes restrita: obras e pagamentos atrasados, falta de coleta seletiva de lixo e de capina em algumas ruas transformam as cidades em verdadeiros caos.
Na época, os prefeitos defendiam a medida como forma de evitar desequilíbrio das contas públicas em função da queda de receita decorrente da redução do repasse pelo Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e, assim, garantir o pagamento do 13º salário dos servidores.
A implantação de meio expediente no atendimento ao público - hoje das 7h30 às 13h -, a redução de funcionários comissionados e estagiários, corte nas horas extras, eliminação do pagamento de diárias e despesas de viagem, leilão de bens inservíveis, entre outras medidas, reduziram os serviços prestados e em algumas cidades a critica tem sido intensa.
Em Joaquim Távora, por exemplo, o aposentado Valdomiro Gomes reclamou do abandono da rua Pedro Soares, nas proximidades da PR-092. Além de o mato cobrir boa parte das ruas e calçadas, o risco de insetos e animais peçonhentos é constante. Cobras, baratas, aranhas e mosquitos estão assustando os moradores.
Ele denunciou também que a coleta seletiva, que era feita duas vezes por semana, não está ocorrendo na sua rua bem como em outras do bairro. ''O caminhão só está passando pelas ruas centrais da cidade. Aqui está tudo abandonado'', disse.
Ele ressalta, entretanto, que as ruas localizadas no centro da cidade estão limpas e sem qualquer vestígio de abandono. ''Nem as varredeiras passam pela nosso bairro, que é próximo ao centro da cidade'', observou.
O prefeito de Joaquim Távora, Claudio Revelino, justificou que em função dos feriados e das chuvas recentes, ficou difícil atender toda a demanda. Revelino afirmou ainda que muitos funcionários do setor estão de férias e por causa da diminuição no ritmo de trabalho, alguns serviços estão sendo realizados de maneira mais lenta. ''Nos próximos dez dias, a cidade estará totalmente limpa, com todas as vias capinadas e o lixo recolhido'', prometeu. Sobre a coleta seletiva de lixo, ele destacou que desconhece o problema, porque uma empresa terceirizada cuida do setor.
Em Quatiguá, o prefeito Carlos Tramontim, não adotou as medidas decididas na reunião da Amunorpi. Ele afirmou que na cidade o horário de atendimento é normal e todos os serviços estão sendo feitos naturalmente. ''Se com as coisas andando de maneira normal, nós temos uma série de pedidos e até algumas reclamações. Imagine se estivéssemos trabalhando só meio período. Aí a situação ficaria muito mais difícil'', argumenta.
Tramontim afirmou que deve ''fechar'' a administração de forma tranquila, com todos os pagamentos dos funcionários em dia e muitos serviços realizados. ''A situação financeira de Quatiguá é muito estável. Vamos pagar o 13 e os salários de novembro e dezembro, sem qualquer imprevisto'', confirmou.
Injeção de R$ 9 milhões
Em Cornélio Procópio, o prefeito interino Vanildo Sotério, confirmou que a prefeitura deverá injetar no comercio local R$ 9 milhões nos próximos 30 dias, com o pagamento dos salários de novembro e o 13º salário até o dia 24 de dezembro. O horário diferenciado reduziu o atendimento. Embora alguns setores estejam trabalhando normalmente, como é o caso da saúde, educação e coleta de lixo, muitos serviços estão sendo feitos dentro do horário estipulado.
''As obras não paralisaram, simplesmente tivemos uma redução compatível com nossa necessidade e aos poucos estamos resolvendo os problemas da cidade'', observou.
Vanildo Sotério viajou ontem a Curitiba onde foi assinar contrato para a construção de 400 casas populares, de um total de 900 que serão construídas pela Cohapar no município.

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