''Eu, a mulher, dois filhos e uma mãe'', apresenta-se Antônio Alves David, 40 anos, dono de 1 alqueire e uma quarta (28 mil metros quadrados). Ele conta que antes de ser proprietário trabalhava para o dono da Fazenda Três Fontes (ou ''dos Alemães''), Odair Rech, por isso conhece muito bem a área do assentamento. No lote de Antônio predomina o cafezal, que produziu 105 sacas beneficiadas. ''Fiz R$ 35 mil e sobraram só R$ 9 mil'', calcula o produtor, sem estimar o valor das culturas intercalares (milho, feijão, batata e mandioca).
''O Pronaf está em dia e acabei de pagar esse pedacinho de casa agora'', aponta para a construção de alvenaria emendada com a parte de madeira. Mas, a não ser pela agricultura, Antônio está insatisfeito. ''Temos luz, não podemos reclamar. Mas cadê a água? Cadê as casas da Cohapar? No assentamento de Ribeirão Claro tem tudo isso.'' E menciona ''oito casinhas da Cohapar'' em outro assentamento rural de Carlópolis, ''o antigo'', já com oito ou nove anos.
Antônio diz que, ''graças a ajuda de um padrinho'', instalou uma bomba que capta água em lugar próximo, mas o volume é insuficiente. E sua pretensão de ter um poço, esbarra no custo. ''No meu caso é R$ 13 mil'', diz, mostrando o orçamento de uma empresa especializada. Seu lote está num dos pontos mais altos, onde o furo para encontrar água ''passa de 60 a 80 metros e não chega a 100'', segundo a empresa. Diante do custo, Antônio entende que caberia ao Município providenciar o suprimento, pois há mais gente precisando e ''uma caixa de 30 mil litros aqui resolveria''.
Quanto à habitação, o presidente da Cohapar passou pelo Norte Pioneiro na segunda-feira, anunciando a construção e reforma de 445 casas em 26 municípios, tendo mencionado o programa ''Morar Bem - Paraná Rural''. Mas segundo a assessora de comunicação social da Prefeitura de Carlópolis, Natália Cezar, não está prevista a inclusão do assentamento e as 20 casas anunciadas para o Município, serão construídas na zona urbana. (W.S.)

mockup