Consumidor é lesado, diz presidente da Apac
O consumidor brasileiro desconhece a qualidade do café que consome e é lesado pela indústria de torrefação. A afirmação é do presidente da Associação Paranaense de Cafeicultores (Apac), Ricardo Gonçalves Strenger. O presidente, eleito recentemente, é cafeicultor da região de Santo Antônio da Platina e assegura que a entidade deve intensificar o debate em relação à qualidade do café mundial e alertar os consumidores sobre as deficiências no setor de produção do pó de café.
Strenger afirma que a ausência de informações sobre a quantidade de mistura entre os cafés arábica e robusta nos rótulos prejudica produtores e consumidores. A Apac defende a divulgação da porcentagem das misturas de café nas embalagens dos produtos comercializados no País e a implantação de um selo de qualidade para identificar as marcas. O objetivo da campanha é proporcionar informações exatas para que o consumidor faça suas opções.
Conforme o superintendente adjunto da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic), Francisco Tavares, os rótulos seguem as normas estipuladas pelo Ministério da Sa© úde e pela Vigilância Sanitária. Ele afirma, ainda, que a definição da porcentagem poderia comprometer a fórmula dos produtos. A decisão de vincular nas embalagens a porcentagem de mistura do produto cabe exclusivamente as empresas.
Strenger discorda da Abic e diz que a falta de regulamentação aumenta os lucros obtidos pelas empresas e prejudicam o consumidor. As empresas de torrefação utilizam a mistura conforme sua conveniência. A maior concentração do café de menor qualidade não altera o preço, mas aumenta o ganho, disse.
Atualmente o produto concentra dois tipos de café, o arábica e canephoar (conillon e robusta). De acordo com a Apac, a maior concentração do café tipo canephoar, com qualidade inferior, sem gosto e aroma, junto ao café arábica, com qualidade superior, pode prejudicar a saúde do consumidor e comprometer o preço real do produto.
Segundo Strenger, o café robusta possui, em média, cinco vezes mais cafeína do que o arábica. O consumo exagerado do pó de café com uma concentração maior de cafeína pode provocar dores de cabeça, afirmou. A regulamentação da utilização do café canephoar nas misturas também evita que o consumidor compre um café de qualidade inferior, por um preço correspondente ao café de qualidade superior.
O representante da Abic afirmou que a classificação da qualidade do café está ocorrendo através do programa Cafés do Brasil, do Ministério da Agricultura e Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC), coordenado pela Abic. A medida vai enquadrar os produtos industrializados e certificar o café conforme a origem, disse Tavares. Segundo a Apac, a medida não beneficia o consumidor porque a classificação se limita à bebida, mas não inclui a porcentagem de mistura. Todos os produtos industrializados assinalam a porcentagem de misturas, somente o café que não especifica suas proporções, frisou Strenger.





